Call of Duty: Black Ops 7 | Bom multiplayer compensa erros da campanha solo — ANÁLISE

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Call of Duty: Black Ops 7 é o vigésimo segundo título de uma das séries mais bem-sucedidas da indústria de games. Curiosamente, a Activision adotou uma estratégia incomum ao trazer uma nova sequência para a linha Black Ops do ano anterior, sem alternar com a série Modern Warfare, como vinha sendo o padrão.

Desta vez, a Treyarch e a Raven Software conduzem a franquia para novas direções, apostando em uma campanha cooperativa, foco total no multiplayer e o retorno dos tradicionais Zumbis, que se tornaram presença obrigatória.

Prometido como o maior Call of Duty já produzido, Black Ops 7 chegou cercado de expectativas em um ano dominado por Battlefield 6. Mas será que o novo capítulo tem força para sustentar a hegemonia dos FPS no mercado? Confira em nossa análise completa.

Pesadelo experimental

Black Ops 7 chamou atenção ao adotar uma premissa ousada. A trama se passa dez anos após Black Ops 2 e traz David Mason de volta como protagonista, que agora enfrenta o retorno inexplicável do icônico vilão Raul Menendez. A história tenta amarrar pontas soltas do passado enquanto apresenta a Guilda, um grupo criminoso que utiliza alta tecnologia e defende uma controversa ideia de “paz global”.

Apesar do potencial e da evidente nostalgia para fãs de Black Ops 2, a execução decepciona. A sensação é de que muitos elementos foram inflados pelo marketing e inseridos de forma apressada, com pouco espaço para o desenvolvimento adequado.

A promessa de campanha cooperativa também criou grandes expectativas. Os jogadores imaginavam uma experiência cinematográfica, marcante e com personagens fortes — pilares históricos da série. Contudo, o que encontramos é uma ruptura com o formato tradicional.

A campanha foi convertida em um modo PvE com cutscenes, que pode ser jogado sozinho, mas com uma série de decisões questionáveis:

  • Não há companheiros controlados pela IA, mesmo que suas vozes e presenças apareçam nas cenas.
  • O jogo não pode ser pausado.
  • Não há checkpoints intermediários.

Ao finalizar a campanha, o jogador libera o acesso ao pós-jogo em Avalon, um mapa no estilo Warzone para cumprir objetivos com amigos. A proposta de conteúdo “infinito”, porém, se esgota em menos de duas horas devido à sua extrema repetitividade.

Outro ponto polêmico é o uso da toxina Berço, responsável por gerar alucinações que resultam em enfrentamentos com zumbis, demônios, gigantes e criaturas que parecem ter saído de Resident Evil. A franquia já experimentou elementos fantásticos antes, mas aqui o exagero ultrapassa o limite esperado. O resultado é claro: a campanha de Black Ops 7 é, com folga, a mais fraca de toda a série.

Combates intensos e zumbis famintos

No multiplayer, Black Ops 7 se destaca e entrega exatamente o que se espera da Treyarch: gunplay afiado, movimento responsivo e grande variedade de customização. As mecânicas de Omnimovement do seu antecessor retornam, enquanto a novidade é a possibilidade de saltar na parede para ampliar a verticalidade do combate.

O arsenal e o armeiro evoluem com upgrades e especializações que aumentam a profundidade tática, aproximando o jogo de um verdadeiro “RPG de armas”. Passar horas testando combinações e perceber como uma mesma metralhadora pode mudar completamente de desempenho é um diferencial notável.

Os mapas de lançamento misturam cenários inéditos com clássicos revisitados — Raid, Express, Hijacked. A fórmula das três vias permanece sólida, embora alguns spawns precisem de ajustes imediatos na lógica de respawn e ângulos de visão. Não é raro renascer no território inimigo e ser eliminado instantaneamente.

Modos tradicionais seguem fortes, e o novo Overload (variação de Capture a Bandeira) adiciona uma camada competitiva interessante. Já o 20 vs 20 Skirmish é ambicioso, mas algumas áreas se mostram grandes demais para o ritmo acelerado do combate. Como costuma acontecer no lançamento, o equilíbrio das armas ainda necessita de ajustes e o TTK (Time-To-Kill) é inconsistente.

Ainda assim, o multiplayer é onde o título realmente brilha, entregando uma experiência ágil, responsiva e com assinatura de blockbuster, algo raro entre os concorrentes. Contudo, não é uma reinvenção; é, sim, um refinamento do que foi apresentado em Black Ops 6.

Nos Zumbis, Black Ops 7 reaproveita boa parte da estrutura do jogo anterior, mas apresenta uma nova narrativa. O mapa principal, Cinza dos Condenados, lembra TranZit e oferece exploração extensa, múltiplos objetivos e áreas distintas dentro do loop tradicional. É um modo divertido e profundo, embora exija dedicação — especialmente para quem joga sozinho. Em grupo, porém, a experiência cresce bastante e se torna mais recompensadora.

A narrativa, mais ambiciosa e menos linear, se mostra positiva por trazer novos elementos e assumir riscos, seguindo a tradição que a Treyarch sempre buscou no modo Zumbis.

Guerra futurista

Visualmente, Black Ops 7 impressiona, oferecendo texturas de alta definição e bons efeitos de iluminação, com mais destaque para os cenários da campanha. No entanto, alguns mapas do multiplayer passam longe de causar o mesmo impacto. Fica evidente que a franquia precisa avançar tecnologicamente e deixar o desenvolvimento para a geração passada para trás.

A direção de arte tenta resgatar o estilo cinematográfico clássico, mas parte disso se perde na nova abordagem futurista e no excesso de elementos estilizados, o que gera uma sensação de “Fortnitezação”.

Em desempenho, o jogo roda bem no PlayStation 5, sem quedas perceptíveis de FPS. Entretanto, há bugs de áudio que comprometem a imersão e falhas raras que prejudicam a jogabilidade, como o personagem aparecer no subsolo após um spawn.

A trilha sonora cumpre bem seu papel, mas não entrega faixas memoráveis. A dublagem em português é de qualidade, com destaque para Guilherme Briggs como David Mason. Apesar da localização para português brasileiro, algumas linhas de diálogo não foram traduzidas, indicando lapsos no processo.

Devo investir em Call of Duty: Black Ops 7?

Call of Duty: Black Ops 7 é um título de extremos. Enquanto o multiplayer e o modo Zumbis entregam uma experiência sólida, divertida e repleta de opções, a campanha representa um ponto extremamente fraco, possivelmente a pior da história da série.

Para quem joga Call of Duty primariamente pelos modos online, o pacote cumpre seu propósito e oferece um dos melhores gunplays recentes da Treyarch. No entanto, veteranos que valorizam a campanha encontrarão um modo PvE simplificado, pensado para coop e distante da narrativa intensa que consagrou a franquia.

O Cromossomo Nerd agradece à Activision por fornecer uma chave de acesso para esta análise.