Cronos: The New Dawn se inspira em diversos sucessos do terror — ANÁLISE

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O gênero survival horror voltou a ter grande destaque na indústria. Jogos como os remakes de Resident Evil 4 e Dead Space, além de Alan Wake II mostram que há um público fiel sedento por experiências tensas, atmosféricas e assustadoras.

Neste cenário, a Bloober Team apresenta Cronos: The New Dawn. Conhecida por títulos como Layers of Fear e The Medium, além do recente remake de Silent Hill 2, a desenvolvedora polonesa aposta em uma proposta ousada: misturar o horror clássico com reflexões filosóficas sobre identidade e sobrevivência.

Com diversas influências de outros sucessores do terror, será que Cronos: The New Dawn consegue ser mais do que apenas uma homenagem a Dead Space e Resident Evil? Confira em nossa análise!

Pesadelo intrigante

Em Cronos: The New Dawn, o jogador controla um Viajante, um personagem misterioso submetido a testes enigmáticos realizados por uma entidade chamada Coletivo. Logo nos primeiros minutos, o jogador verá a influência de obras como Blade Runner 2049, especialmente na forma como a narrativa explora identidade, memória e propósito.

A humanidade é dizimada por uma doença mortal na década de 1980. O que restou são cidades abandonadas, fábricas devastadas e ambientes tomados por uma grotesca biomassa orgânica. É nesse cenário que a Viajante precisa sobreviver, explorar o que sobrou do planeta e enfrentar perguntas que vão além do simples “lutar ou fugir”.

Essa abordagem dá ao jogo um ar de terror filosófico, em que o verdadeiro medo não está apenas nos monstros, mas na dúvida sobre o que significa ser humano, principalmente ao interagir com o passado.

A narrativa de Cronos: The New Dawn levanta questionamentos demais e é escassa nas respostas por boa parte da trama. Devido ao início lento, pode se tornar entediante para alguns que não abraçam a proposta, mas consegue deixar o jogador intrigado quando as coisas começam a fazer sentido.

 Sobrevivência e sustos

A jogabilidade de Cronos: The New Dawn segue a cartilha do survival horror. O jogador precisa administrar munição escassa, inventário limitado e recursos preciosos. Cada bala conta e deixar algo para trás pode ser a diferença entre vida e morte.

A Viajante traz uma pistola que permite carregar disparos para aumentar a potência. Essa escolha cria situações de risco-recompensa: esperar mais tempo para causar mais dano ou atirar rápido para sobreviver? Essa dinâmica dá estratégia aos combates e uma dose de adrenalina.

Há um sistema de progressão que permite melhorar o traje e as armas da Viajante. Durante a aventura, você irá coletar itens que poderão ser vendidos e encontrar salas com baús, bem semelhantes a Resident Evil.

Os inimigos do jogo são criaturas mutantes agressivas e imprevisíveis. Aqui a mecânica principal é sua capacidade de se fundirem uns com os outros para criarem aberrações ainda mais perigosas.

Por mais que pareça um detalhe, isso obriga o jogador a agir rápido e pensar estrategicamente para conseguir poupar seus recursos e sobreviver. Afinal, um descuido pode fazer um inimigo médio se tornar uma ameaça considerável. Ao derrotar seus oponentes, é necessário utilizar o lança-chamas para queimar os corpos e impedir fusões.

Cronos: The New Dawn alterna momentos de ação e silêncio para criar tensão. Andar por um corredor, aparentemente vazio, é sempre uma experiência de atenção, afinal, você nunca sabe o que pode te surpreender.

Em movimentação, a Viajante é pesada e lenta. A culpa pode ser de seu traje especial, mas em determinados momentos, o título ganharia bastante com uma esquiva.

Outro ponto é como o combate corpo a corpo é ineficaz. Por diversas vezes, as criaturas sequer se incomodam com seus golpes. Por questões de balanceamento, seria interessante que o dano fosse aumentado para o jogador ter um recurso a mais no leque de combate.

Espetáculo repugnante

Visualmente, Cronos: The New Dawn é um dos trabalhos mais impressionantes da Bloober Team. As áreas misturam arquitetura futurista com degradação orgânica, o que resulta em cenários perturbadores cobertos por massas pulsantes com corpos retorcidos.

Outro destaque são os efeitos de iluminação. Com cores frias e sons mecânicos profundos, o jogo cria uma atmosfera tensa, desconfortante e assustadora que deia o jogador em constante alerta, mesmo quando você chega ao final dos corredores e nada acontece.

A direção de arte faz um excelente trabalho em criar monstros que causam nojo e repulsa com suas formas humanas distorcidas que parecem armas biológicas de Resident Evil misturadas com criaturas de Silent Hill.

O jogo está traduzido para português brasileiro, mas não tem dublagem. A mixagem sonora é responsável por contribuir para a atmosfera tensa com faixas depressivas e sons estranhos, bem calculados.

No entanto, a beleza acaba quando falamos do desempenho. Cronos: The New Dawn decepciona no modo performance tem quedas de FPS, mesmo quando não tem tanta coisa acontecendo na tela. Há também bugs visuais estranhos nas cinemáticas, com animações da Viajante e efeitos de pop in que atrapalham a imersão.

Devo investir em Cronos: The New Dawn?

Cronos: The New Dawn é um excelente jogo de survival horror que consagra a Bloober Team como um dos estúdios do momento quando o assunto é terror. Apesar de não apresentar tantas ideias novas, consegue homenagear os clássicos, enquanto imprime a sua própria identidade.

A narrativa começa lenta e pode afastar alguns, mas a jogabilidade tensa e atmosfera perturbadora prendem atenção para criar uma experiência única que merece o seu tempo. Alguns problemas pequenos não ofuscam o seu brilho e podem ser corrigidos em atualizações futuras.

Cronos: The New Dawn será lançado em 5 de setembro para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC.

*O Cromossomo Nerd agradece a Bloober Team por ter nos fornecido uma key para esta análise.