Dragon Quest I e II HD-2D Remake | A origem do JRPG — ANÁLISE

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Antes de Final Fantasy ou Chrono Trigger, o mundo conheceu Dragon Quest. Lançado originalmente em 1986 e 1987, o primeiro e o segundo capítulos da lendária franquia da Enix (hoje Square Enix) deram forma ao que conhecemos como JRPG, um gênero que combina narrativa heroica, exploração, combates por turnos e evolução de personagens.

Agora, quase 40 anos depois, Dragon Quest I & II HD-2D Remake chega para recontar essa história com o respeito e a beleza que merecem. A Square Enix repete o sucesso do remake de Dragon Quest III: The Seeds of Salvation, trazendo a mesma direção artística em HD-2D, mesclando pixel art clássica com ambientes 3D cheios de luz, textura e nostalgia.

Uma recriação que respeita e renova

Assim como em Dragon Quest III HD-2D Remake, o objetivo aqui não é apenas atualizar os gráficos, mas reinterpretar os jogos originais sem perder sua essência. Os remakes de Dragon Quest I e II não são simples remasterizações, mas sim reconstruções completas que expandem a narrativa, adicionam conteúdo e ajustam sistemas para torná-los mais acessíveis e envolventes.

Ambos os jogos contam com três níveis de dificuldade  Drack Quest (fácil), Dragon Quest (normal) e Draconian Quest (difícil) e recursos modernos como aceleração de batalhas e novas magias e habilidades inspiradas em títulos mais recentes da franquia.

A trilha sonora orquestrada, as vozes em inglês e japonês e os efeitos visuais modernos criam uma atmosfera épica, capaz de agradar veteranos e novos jogadores. A ausência de legendas em português ainda pesa, mas a direção artística e o som compensam, tornando cada passo uma viagem nostálgica e emocionante.

Dragon Quest I – A solidão do herói lendário

Em Dragon Quest I, controlamos um descendente direto do lendário herói Erdrick, em uma jornada para salvar o reino de Alefgard das garras do terrível Dragonlord. É uma história simples e arquetípica, mas que aqui ganha novas camadas.

A Square Enix adicionou novos diálogos, missões secundárias e cutscenes, incluindo trechos que ampliam a relação entre o protagonista e a princesa Gwaelin. O jogo, que originalmente podia ser concluído em cerca de 8 horas, agora oferece quase o dobro de duração, graças ao conteúdo extra e às novas localidades adicionadas.

Dragon Quest I & II - Dragon Quest I
Dragon Quest I & II – Dragon Quest I

Um detalhe curioso é que, diferente dos outros títulos da série, aqui o jogador luta sozinho. Não há companheiros de grupo, apenas o herói enfrentando hordas de monstros clássicos em batalhas por turnos. Essa escolha traz uma sensação de isolamento e desafio única, reforçando o peso da jornada.

Ainda assim, as novas habilidades e magias dão mais dinamismo às lutas, que agora podem envolver múltiplos inimigos ao mesmo tempo. Em dificuldades mais altas, o jogo exige estratégia e muita paciência, especialmente nos confrontos contra chefes lendários como o próprio boss final.

Dragon Quest II – A força do legado e da união

Cem anos após os eventos do primeiro jogo, Dragon Quest II amplia o escopo da aventura. Agora controlamos os descendentes de Erdrick, três heróis de reinos diferentes que se unem para enfrentar o vilão Hargon, responsável pela destruição do reino de Moonbrooke.

Essa sequência representa o primeiro passo da franquia em direção a algo maior: um grupo completo de heróis, múltiplos reinos, exploração marítima e batalhas mais estratégicas. O remake honra isso ao introduzir uma nova personagem jogável  a princesa de Cannock, que adiciona novas interações e torna o elenco mais dinâmico.

Dragon Quest I & II - Dragon Quest II

O enredo também foi expandido com novas cidades, masmorras e missões, conectando elementos do universo de Dragon Quest III. A narrativa agora reforça a linhagem de Erdrick, transformando o trio de protagonistas em símbolos vivos do legado do herói original.

Em termos de gameplay, Dragon Quest II HD-2D corrige o balanceamento problemático do jogo original, tornando o combate mais justo e recompensador. A inclusão de novas magias, habilidades e melhorias de qualidade de vida como o Boss Rematch, que permite refazer batalhas, e o Recall, que relembra falas importantes de NPCs  tornam a experiência muito mais fluida.

Visual, trilha e performance – A magia do HD-2D

O visual HD-2D continua sendo o grande destaque. O estilo artístico mescla pixel art detalhada com cenários tridimensionais e iluminação dinâmica, criando um efeito de diorama vivo. Os personagens mantêm o charme dos anos 80, mas com uma riqueza de cor e movimento que os torna encantadores.

No Nintendo Switch 2, o jogo oferece modos de qualidade e performance, rodando a 60fps com tempos de carregamento rápidos. Embora alguns trechos pareçam um pouco borrados em modo portátil, a direção de arte compensa amplamente.

A trilha sonora sinfônica é outro ponto alto. Clássicos temas compostos por Koichi Sugiyama ganham vida com arranjos orquestrais que melhoram ainda mais o clima de aventura. “Traveling With Friends” e o tema de batalha principal são exemplos perfeitos de como a nostalgia e a modernidade podem coexistir em harmonia.

Conclusão 

Dragon Quest I & II HD-2D Remake vai além de um remake simples, é uma reafirmação da importância histórica de Dragon Quest. A Square Enix conseguiu revitalizar dois clássicos sem apagar sua essência, oferecendo uma experiência que combina nostalgia e inovação na medida certa. Embora não alcancem o mesmo impacto técnico e narrativo do remake de Dragon Quest III, os dois jogos formam com ele uma trilogia perfeita uma verdadeira homenagem ao nascimento do JRPG.

Se você é fã da franquia, ou simplesmente ama RPGs clássicos, este pacote é essencial. Ele mostra como as raízes do gênero ainda florescem, agora com uma nova roupagem, pronta para encantar gerações.

Dragon Quest I & II HD-2D Remake já está disponível para PlayStation 5, Xbox Series S|X, Nintendo Switch e PC.

*O Cromossomo Nerd agradece a Square Enix  por nos fornecerem uma chave de acesso no Nintendo Switch 2 para esta análise.