Se existe uma franquia que define o que é o gênero JRPG, essa franquia é Dragon Quest. Após revisitarmos as origens da trilogia Erdrick com os remakes HD-2D, voltamos nossos olhos para um dos títulos mais densos e ambiciosos da série.
Originalmente lançado para o PlayStation 2 e revitalizado no 3DS, Dragon Quest VII chega agora à nova geração prometendo manter sua essência de “épico de cem horas”, mas com o polimento que os fãs modernos exigem.
Reconstruindo o Mundo, Fragmento por Fragmento
A premissa de Dragon Quest VII é, talvez, uma das mais curiosas da série. Você começa em uma ilha isolada chamada Estard, onde o povo acredita que não existe mais nada no mundo além daquele pequeno pedaço de terra. O protagonista, ao lado do príncipe Kiefer e da impetuosa Maribel, descobre um santuário antigo que permite viajar ao passado.

A estrutura do jogo é em forma de “episódios”. Durante sua jornada, você encontra fragmentos de tabuleiros, viaja para ilhas que foram esquecidas pelo tempo, resolve seus problemas e, ao retornar ao presente, vê essas ilhas reaparecerem no mapa. É um ciclo de “detetive histórico” extremamente satisfatório.
Direção Artística que eleva ainda mais a fantasia
Para este remake, a Square Enix tomou uma decisão ousada e encantadora: abandonaram o realismo genérico em favor de uma estética de diorama em 3D. O resultado é um mundo que parece vivo, mas construído à mão, como se estivéssemos observando uma maquete ultra-detalhada.
A parte mais legal dessa direção é que foram criados bonecos reais para fazer a renderização dos personagens, o processo foi tão bacana que a própria square enix postou um video do processo.
Essa nova direção artística traz uma sensação “quente e aconchegante” para a jornada. Os personagens de Akira Toriyama agora possuem um aspecto que lembra bonecos de vinil ou colecionáveis de alta qualidade, mantendo o carisma clássico, mas com uma textura que dá vontade de tocar.
Seja explorando vilas ou enfrentando monstros em arenas de batalha em alta definição, o jogo parece um livro de histórias que ganhou volume e profundidade, transformando a exploração em uma experiência tátil e visualmente impecável para a nova geração.
O Sistema de Vocações e a Evolução Constante
Diferente dos jogos anteriores, onde as classes eram mais rígidas, Dragon Quest VII brilha com um sistema de Vocações robusto. Após algumas horas de jogo, você ganha acesso à Abadia de Alltrades. Existem 10 vocações iniciais, como os clássicos Warrior e Mage, mas existem uma boa quantidade de classes intermediárias.

Com o novo sistema de combinação de classe chamado “moonlightning”, você é capaz de ter duas vocações ao mesmo tempo. Isso abre um leque de personalização, permitindo combinar habilidades de diferentes classes de forma criativa.
Além disso, cada profissão agora possui Vocational Perks, que são habilidades especiais extremamente úteis, que são ativadas quando o personagem está “empolgado”, garantindo uma camada extra de tática para as lutas contra chefes.
O Charme está nos Detalhes
Embora a trama principal envolva derrotar o mal, o verdadeiro coração de DQ VII são as micro-histórias. Cada ilha visitada tem seu próprio arco dramático. A escrita narrativa do jogo continua no padrão da franquia, com os trocadilhos e referências a países e culturas dependendo da região que você está. A maior barreira do Dragon Quest VII original sempre foi seu ritmo extremamente denso, mas este remake traz mudanças drásticas para tornar a jornada mais fluida.
A narrativa foi significativamente simplificada, com vinhetas retrabalhadas para serem mais ágeis e acessíveis, sem perder a profundidade emocional. No campo das batalhas, agora é possível evitar combates desnecessários: inimigos mais fracos que o seu grupo podem ser derrotados instantaneamente com um golpe no mapa, eliminando o “grinding” tedioso e mantendo a aventura em um ritmo acelerado e moderno.

Além das melhorias estruturais, o jogo recebeu diversas funcionalidades de Qualidade de Vida que respeitam o tempo do jogador. Agora, é possível acelerar a velocidade das animações de combate e configurar táticas automáticas inteligentes até para o protagonista.
Essas mudanças, somadas ao novo visual e à história revitalizada, transformam um clássico conhecido por ser “difícil de terminar” em uma experiência convidativa tanto para veteranos quanto para quem está chegando agora à franquia através dos novos consoles.
O Equilíbrio Perfeito entre o Clássico de PS1 e o Moderno
Dragon Quest VII não é um jogo para quem tem pressa, mesmo nessa versão mais condensada. É uma obra que exige que o jogador se sinta parte daquele mundo, conversando com NPCs e explorando cada canto. Se o remake de DQ III trouxe a modernidade visual, este remake de DQ VII foca na diversidade narrativa.

É uma experiência obrigatória para quem quer entender por que Dragon Quest é um fenômeno cultural, principalmente no japão. A nova direção de arte do jogo no estilo de diorama traz um charme gigantesco para essa nova reimaginação.
Um ponto que vai agradar os puristas é a escala. Enquanto o remake de 3DS tentou proporções mais “humanas”, esta nova versão volta às origens do PlayStation, com bonecos mais expressivos e cabeçudos que se encaixam perfeitamente nos cenários.
DRAGON QUEST VII Reimagined será lançado em 05/02 para PlayStation 5, Xbox Series S|X, Nintendo Switch e PC.
*O Cromossomo Nerd agradece a Square Enix por nos fornecerem uma chave de acesso no PS5 para esta análise.























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