Final Fantasy VII Remake consegue levar sua grandiosidade ao Nintendo Switch 2? — ANÁLISE

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Final Fantasy VII Remake Intergrade chega ao Nintendo Switch 2 como um dos ports mais ambiciosos da nova geração híbrida da Nintendo. Lançado originalmente em 2020 e aprimorado em 2021 com a edição Intergrade, o RPG da Square Enix desembarca no console com campanha principal completa e a expansão INTERmission, focada em Yuffie Kisaragi.

A grande questão, no entanto, vai além do conteúdo. O desafio envolve preservar escala, impacto narrativo e desempenho técnico em um hardware pensado também para portabilidade.

Será que a versão conseguiu superar os desafios e entregar uma boa experiência no Switch 2? Descubra a resposta para estas e outras perguntas em nossa análise.

Final Fantasy VII Remake Intergrade traz uma das melhores narrativas da franquia

Final Fantasy VII Remake Intergrade

Final Fantasy VII Remake Intergrade se passa em Midgar, uma megacidade industrial controlada pela Shinra Electric Power Company, corporação que extrai energia do planeta por meio da força vital conhecida como Mako. Esse processo mantém a cidade funcionando, mas lentamente consome a própria vida do mundo, estabelecendo o conflito central da narrativa.

O jogador acompanha Cloud Strife, um ex-SOLDIER que atua como mercenário e acaba envolvido com o grupo eco-ativista Avalanche, liderado por Barret Wallace. O objetivo do grupo envolve sabotar os reatores da Shinra, acreditando que apenas assim o planeta pode ser salvo. Ao longo da jornada, Cloud reencontra sua amiga de infância Tifa Lockhart e cruza o caminho de Aerith Gainsborough, figura-chave ligada diretamente ao destino do planeta.

O novo x o antigo

Diferente do jogo original de 1997, onde Midgar representava apenas as primeiras horas da aventura, o remake transforma essa cidade em um arco narrativo completo, expandindo conflitos, relações e consequências. O cotidiano dos moradores da parte menos abastada da cidade, a desigualdade social entre placa e subsolo e a presença constante da Shinra deixam de ser pano de fundo e passam a integrar ativamente a narrativa.

Os personagens também ganham novas camadas. Cloud deixa de ser apenas o herói silencioso e revela conflitos internos, insegurança e até momentos de ironia. Barret vai além do estereótipo de revolucionário, mostrando sua fragilidade como pai. Tifa assume papel de elo emocional do grupo, enquanto Aerith equilibra leveza e mistério, antecipando elementos centrais da saga.

O remake, no entanto, não se limita a recontar a história original. A Square Enix introduz mudanças narrativas importantes, incluindo novos eventos, personagens inéditos e conceitos que sugerem interferência direta no curso do destino. Essas alterações dividem opiniões: para alguns, enriquecem o universo; para outros, descaracterizam parte da obra original. Ainda assim, elas deixam claro que o projeto não busca apenas nostalgia, mas também reinterpretação.

A campanha adicional INTERmission ressalta essa ideia ponto ao apresentar Yuffie Kisaragi, ninja vinda de Wutai, nação inimiga da Shinra. A DLC expande o conflito político do mundo, introduz novas facções e prepara terreno para eventos futuros, conectando Midgar ao cenário mais amplo que será explorado nos próximos jogos.

A decisão de dividir o remake em três títulos redefine o ritmo da narrativa. O primeiro jogo funciona como um grande prólogo expandido, o que pode acabar sendo cansativo em alguns momentos.

Para novos jogadores, isso oferece mais tempo de desenvolvimento e envolvimento emocional. Para veteranos, levanta questionamentos sobre ritmo e fidelidade, mas também cria expectativa real sobre caminhos narrativos inéditos.

No contexto do Nintendo Switch 2, a história permanece intacta em conteúdo e impacto.

Uma jogabilidade que mescla o novo e o antigo

Final Fantasy VII Remake Intergrade

A jogabilidade de Final Fantasy VII Remake Intergrade combina ação em tempo real com elementos clássicos de RPG, criando um sistema híbrido que equilibra reflexo e estratégia. Combates acontecem de forma dinâmica, mas decisões importantes exigem pausa tática para escolher habilidades, magias ou itens por meio do menu ATB.

Cada personagem possui um estilo próprio. Cloud alterna entre ataques rápidos e posturas mais agressivas, Tifa se destaca em combos e controle de stagger, Barret atua à distância com foco em suporte, enquanto Aerith domina o campo com magias e habilidades de controle. A troca constante entre membros do grupo deixa de ser opcional e se torna essencial para vencer inimigos mais complexos.

O sistema de Materias é o principal eixo de customização. Armas e armaduras possuem slots onde o jogador equipa esses itens que oferecem habilidades mágicas, de suporte, de comando ou independentes. Esse sistema define quais magias cada personagem pode usar, quais bônus recebe e até como certas habilidades se comportam em combate.

Materias evoluem conforme são usadas, desbloqueando versões mais poderosas das habilidades. A combinação entre Materias cria sinergias importantes, como vincular um elemento a ataques físicos ou espalhar efeitos mágicos para múltiplos alvos. Esse nível de personalização permite moldar o grupo de acordo com o estilo do jogador ou a exigência de cada batalha.

Complementando esse sistema está a árvore de habilidades das armas. Cada arma possui upgrades próprios, desbloqueados por pontos de SP ganhos ao subir de nível. Esses upgrades aumentam atributos, liberam habilidades passivas e alteram o funcionamento da arma, o que faz com que equipamentos antigos continuem relevantes ao longo do jogo.

Esse design evita a progressão linear tradicional, incentivando experimentação. O jogador escolhe entre mais dano, maior eficiência mágica, bônus defensivos ou melhorias situacionais, tornando cada build única. A ausência de uma “arma definitiva” reforça a liberdade estratégica.

O que a DLC Intermission acrescenta?

A DLC INTERmission adiciona novas variações ao sistema. Yuffie utiliza um estilo híbrido entre curto e longo alcance, com mecânicas próprias de troca de elemento e sinergia com Sonon. O combate em dupla reforça o foco em coordenação e amplia as possibilidades táticas.

Por fim, o modo Streamlined Progression, presente nesta versão, oferece opções de acessibilidade e replay. Ajustes como ATB sempre cheio ou dano máximo permitem focar na narrativa, sem eliminar o sistema para quem prefere a experiência completa. No Switch 2, esse recurso se mostra especialmente útil para sessões portáteis mais curtas.

Final Fantasy VII Remake Intergrade traz bons gráficos no Switch 2

Final Fantasy VII Remake Intergrade

Visualmente, o port impressiona considerando o histórico do antigo Switch com jogos exigentes. O uso de DLSS, viabilizado pelo chip NVIDIA do Switch 2, faz diferença clara na apresentação, principalmente em modo dock, onde iluminação, sombras e enquadramentos se aproximam da versão de PS5 em modo desempenho.

Midgar mantém sua escala e identidade visual. As placas metálicas, os becos apertados do subsolo e os contrastes sociais seguem bem representados. Cutscenes, em especial, surpreendem pela proximidade com versões mais robustas, exigindo atenção para notar diferenças mais evidentes.

As concessões aparecem em texturas específicas, sobretudo em cenários secundários e elementos distantes. Há também uma leve granulação em cabelos e bordas serrilhadas ocasionais, efeito colateral do upscaling. Ainda assim, o conjunto se mantém coeso e distante de comprometer a experiência.

Uma trilha sonora que marca gerações

Final Fantasy VII Remake Intergrade

A trilha sonora permanece impecável. Os temas clássicos compostos por Nobuo Uematsu recebem novos arranjos que variam entre orquestrações épicas, releituras eletrônicas e versões mais contidas para momentos intimistas.

O trabalho de mixagem se destaca no Switch 2. Mesmo em modo portátil, vozes e músicas mantêm clareza e impacto, algo que reforça a imersão e demonstra cuidado técnico na adaptação, sem compressões agressivas.

Final Fantasy VII Remake Intergrade é bem otimizado no Switch 2?

Uma das maiores preocupações em relação ao lançamento do título para o Switch 2 era o desempenho, tendo em vista que muitos rumores indicavam que o console não estava dando conta de entregar bons resultados. Felizmente, o saldo é positivo.

O jogo roda a 30 fps estáveis na maior parte do tempo, com excelente frame pacing em modo dock. Em portátil, quedas pontuais podem ocorrer em cenas mais carregadas, mas sem impacto direto na jogabilidade.

A estabilidade geral impressiona ao considerar a complexidade visual do jogo e as limitações de banda de memória do console. A decisão de priorizar consistência e fidelidade visual se mostra acertada para um RPG focado em narrativa e apresentação.

Devo investir em Final Fantasy VII Remake no Switch 2?

Final Fantasy VII Remake Intergrade no Nintendo Switch 2 não supera as versões de PS5 ou PC em termos técnicos, mas entrega um port sólido, estável e surpreendentemente ambicioso. A grandiosidade da experiência permanece, agora aliada à conveniência da portabilidade.

Para quem deseja revisitar Midgar ou conhecer o remake pela primeira vez em um formato mais flexível, esta versão cumpre sua proposta. O impacto narrativo, o combate refinado e a identidade visual seguem intactos, sendo apenas adaptados a uma nova forma de jogar.

Final Fantasy VII Remake Intergrade já está disponível na Nintendo eShop pelo preço sugerido de R$ 229,90.

*O Cromossomo Nerd agradece a Square Enix por ter nos cedido uma cópia do jogo para esta análise.