Com lançamento previsto para 15 de outubro de 2026, Castlevania: Belmont’s Curse marca o retorno da franquia a uma aventura de ação e exploração em 2D. Desenvolvido pela Konami com a Evil Empire e a Motion Twin, o jogo leva a família Belmont à Paris de 1499, em uma história ambientada 23 anos após Castlevania III: Dracula’s Curse.
A série construiu seu legado com caçadores de vampiros, combates desafiadores e a luta contra Drácula. Depois de ganhar uma nova geração de fãs com a animação da Netflix, Belmont’s Curse retoma elementos clássicos e adota uma direção artística próxima à da série, com personagens ligados à mesma linhagem. O resultado mistura nostalgia e novidades, embora alguns aspectos da aventura não alcancem todo o potencial.
Castlevania: Belmont’s Curse renova o combate com o chicote
Rápido, frenético e desafiador, o jogo parte da base dos Castlevania clássicos, mas dá mais liberdade à movimentação. O icônico chicote Vampire Killer serve tanto para atacar quanto para atravessar áreas, alcançar pontos elevados e descobrir caminhos escondidos. Essa agilidade combina bem com o ritmo dos confrontos e da exploração.
A mecânica também tem seus tropeços. Em alguns trechos, saltar de um ponto âncora para outro exige uma precisão que nem sempre responde como deveria, gerando frustração. Ainda assim, puzzles, armadilhas, segredos e referências mantêm o jogador atento, enquanto o arsenal variado permite ajustar o combate ao próprio estilo.
As cartas de tarô de Rose dão acesso aos arcanos, habilidades especiais ligadas a chefes derrotados. A ideia amplia as possibilidades de luta, mas o sistema de melhorias poderia ser mais claro: desbloquear pontos de aprimoramento exige cumprir missões e pode se tornar cansativo para quem busca completar todas as opções.
No panorama geral, o combate funciona bem, mas não é possível alternar armas e arcanos durante a luta, sendo necessário fazer a troca e as combinações do menu de pausa, o que cria uma certa limitação no combate e impede a criação de combos.
Além de armas e arcanos, Rose também conta com a possibilidade de equipar relíquias que concedem habilidades condicionais e melhorias de atributo.
As batalhas contra chefes estão entre os melhores momentos. Inimigos como Morte, Medusa e Carmilla apresentam padrões variados, animações marcantes e confrontos que exigem observação e reflexos. Para quem prefere reduzir a dificuldade, há ajustes para o dano causado e recebido, além de uma opção de imortalidade. Mesmo assim, cair em armadilhas ou ser esmagado por certos obstáculos ainda pode encerrar a tentativa.
Castlevania: Belmont’s Curse dá vida à Paris gótica
A direção de arte de Castlevania: Belmont’s Curse combina cenários góticos com cores vivas e personagens expressivos. Castelos, catacumbas e ruas em chamas ajudam a estabelecer uma identidade visual que conversa com o passado da série, sem transformar o jogo numa repetição dos títulos antigos.
A semelhança com a animação da Netflix também chama atenção. A equipe confirmou que a série serviu de inspiração para a abordagem visual e cinematográfica, embora o jogo não faça parte diretamente da continuidade da produção. Essa escolha ajuda a aproximar os fãs do desenho sem exigir conhecimento prévio dos games.
As cutscenes mantêm o mesmo cuidado visual, mas muitas se apoiam em imagens estáticas com animações sutis. São bonitas e cumprem seu papel, porém poderiam explorar mais movimento para dar força a cenas importantes.
Castlevania: Belmont’s Curse acompanha a maldição de Rose
A trama de Castlevania: Belmont's Curse se passa em Paris, no ano de 1499, quando criaturas monstruosas tomam a cidade. Rose Belmont, filha de Trevor e Sypha, parte para enfrentar a ameaça e investigar uma conspiração ligada à maldição que carrega desde o nascimento. As escolhas ao longo da jornada influenciam seu destino, entre sucumbir à maldição ou resistir a ela.
Rose é cativante e determinada, com qualidades e falhas herdadas dos pais. A protagonista sustenta bem o novo capítulo da linhagem Belmont, enquanto as referências ao passado da franquia oferecem material para veteranos. Novatos também conseguem acompanhar a aventura sem precisar conhecer todos os jogos anteriores.
O ponto fraco está no desenvolvimento da maldição. Apesar de ocupar lugar central na jornada, seus efeitos e implicações não recebem a atenção necessária em certos momentos. Com isso, parte do peso dramático que deveria acompanhar Rose acaba diluída.
Uma trilha sonora que faz palpitar o coração
A música de Belmont's Curse acompanha a atmosfera gótica e os diferentes ritmos da aventura, da exploração aos combates mais intensos. A proposta sonora também se aproxima do tratamento cinematográfico da animação, uma influência citada pela equipe ao falar da direção do jogo.
É maravilhoso ver como a trilha consegue transformar a atmosfera e a tensão de cada um dos cenários, entregando melodias fortes, presentes e que embalam a aventura do começo ao fim. Em todos estes anos analisando jogos, poucos foram os títulos que conseguiram entregar trilhas que são marcantes e que complementam a aventura tão bem quanto as desse jogo.
Exploradores são recompensados
A combinação de salas secretas, quebra-cabeças, armadilhas e referências faz com que o jogador se sinta engajado a explorar cada cantinho dos mapas. O chicote transforma a travessia em parte central da experiência, enquanto os cenários escondem caminhos que incentivam voltar a áreas já visitadas.
Infelizmente, durante a exploração, houveram alguns mistérios que não consegui solucionar, mesmo explorando tudo à exaustão. A sensação é de que faltou um pouco de clareza na reta final para conseguir alcançar os chefões opcionais.
A acessibilidade ajuda a adaptar o desafio a diferentes perfis, mas não elimina todos os riscos da exploração. Essa escolha preserva a tensão dos ambientes e impede que a opção de imortalidade torne cada trecho completamente livre de perigo.
Castlevania: Belmont’s Curse aproveita os recursos do PS5
Na versão de PS5, o ritmo acelerado do jogo combina bem com a movimentação de Rose e os combates frenéticos. Durante, o teste, pude notar algumas quedas de desempenho rápidas em alguns trechos, mas sem atrapalhar gravemente a progressão. O loading entre os mapas também quebra um pouco o ritmo do jogo, mas é justificado por conta do tamanho dos cenários, quantidades de inimigos e elementos animados.
A localização facilita acompanhar a aventura com menus e legendas em português brasileiro, mas as vozes ficam restritas ao inglês e ao japonês. A falta de dublagem chama atenção diante da direção de arte cinematográfica, o que seria a "cereja no topo" para coroar uma produção feita com tanto esmero.
Castlevania: Belmont's Curse
Castlevania: Belmont’s Curse honra o legado da franquia
Castlevania: Belmont’s Curse resgata a energia dos jogos clássicos e combina essa base com movimentação mais ágil, exploração repleta de segredos e chefes memoráveis. Rose também estreia como uma protagonista carismática, ainda que a história pudesse aprofundar melhor sua maldição.
Com referências para veteranos e caminhos acessíveis a novatos, o jogo mostra que Castlevania continua forte e que a Konami encontrou uma forma promissora de aproximar a franquia de sua era de ouro.
*O Cromossomo Nerd agradece a Konami por ter nos cedido uma cópia do jogo para esta análise.
