Granblue Fantasy Versus: Rising | Fácil de começar, difícil de largar — ANÁLISE

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Um dos maiores desafios de um jogo de luta acontece antes mesmo de enfrentar o primeiro adversário. Entre comandos, combos e personagens com habilidades diferentes, existe aquela impressão de que a diversão só vai começar depois de algumas horas estudando. Granblue Fantasy Versus: Rising consegue encurtar bastante esse caminho.

A proposta é permitir que o jogador entre em uma partida, utilize os golpes do personagem e comece a entender o combate sem precisar vencer primeiro uma disputa contra o próprio controle. Mas seria um erro confundir essa facilidade inicial com falta de profundidade.

Rising amplia a fórmula do primeiro Granblue Fantasy Versus com novas possibilidades de combate, melhorias no online e um elenco variado. Na Legendary Edition, os 40 personagens tornam o pacote ainda mais convidativo para quem está chegando agora.

O resultado é um jogo que sabe receber novos jogadores, embora algumas decisões fora das lutas não sejam tão eficientes quanto aquilo que acontece dentro delas.

Aprender os golpes é só o começo

A principal qualidade de Granblue Fantasy Versus: Rising está na maneira como apresenta seu sistema de combate.

Os comandos simplificados permitem executar especiais sem exigir imediatamente o domínio de movimentos mais complicados. Isso faz diferença porque coloca o jogador em contato com uma parte interessante dos jogos de luta desde as primeiras partidas: entender o adversário.

Em vez de concentrar toda a atenção em acertar um comando, sobra espaço para observar a distância, perceber uma abertura e descobrir quando vale a pena atacar. O aprendizado acontece enquanto o jogador participa da luta, com ferramentas suficientes para experimentar.

Só existe um detalhe: o adversário também possui essas ferramentas.

Conseguir utilizar um especial não significa saber o momento certo de usá-lo. Um ataque lançado sem cuidado continua deixando espaço para uma resposta, enquanto insistir na mesma estratégia torna suas ações previsíveis. Contra alguém mais experiente, apertar os botões certos é apenas uma pequena parte do trabalho.

É justamente aí que Rising encontra seu equilíbrio. A execução deixa de ser uma barreira tão grande, mas as decisões continuam tendo consequências.

Um elenco que dá vontade de experimentar

Essa acessibilidade também ajuda a valorizar os personagens.

O elenco oferece lutadores que funcionam melhor pressionando de perto, outros que preferem controlar a distância e opções capazes de transformar uma oportunidade de agarrão em um problema considerável. Existem ainda personagens com particularidades que exigem mais tempo para serem compreendidas.

Como parte dos fundamentos é compartilhada, trocar de lutador não significa começar todo o aprendizado novamente. Ao mesmo tempo, as diferenças são suficientes para impedir que essa troca pareça apenas uma mudança de aparência.

Granblue Fantasy Versus: Rising character select
Excelente numero de personagens

Na Legendary Edition, os 40 personagens disponíveis são um dos maiores argumentos do pacote. É uma quantidade generosa de estilos para testar, especialmente para quem ainda não sabe exatamente como gosta de jogar. Esse número, vale destacar, corresponde à edição ampliada e não deve ser confundido com o conteúdo da versão básica.

Naturalmente, essa variedade também cobra seu preço dentro das partidas. Encontrar um personagem favorito é uma coisa. Aprender a enfrentar todo o restante do elenco é outra história. Rising facilita a entrada, mas continua oferecendo bastante trabalho para quem pretende se aprofundar.

O online recebeu a atenção que precisava

As melhorias na experiência online estão entre os avanços mais importantes em relação ao primeiro Versus. A presença de rollback ajuda a preservar a resposta dos comandos durante as partidas, reduzindo o impacto da latência. Em um gênero no qual reagir no momento certo faz tanta diferença, isso afeta diretamente a qualidade da experiência.

O crossplay também fortalece o conjunto ao permitir confrontos entre plataformas compatíveis. Além de ampliar as possibilidades de encontrar adversários, o recurso diminui a dependência da comunidade de uma única plataforma.

São melhorias que fazem sentido para um jogo cujo principal incentivo está em continuar aprendendo. Você enfrenta alguém, percebe uma dificuldade, ajusta sua abordagem e volta para tentar novamente. Quando a estrutura online acompanha esse processo, fica muito mais fácil querer jogar mais uma partida.

Na versão de Nintendo Switch 2, porém, existe uma diferença perceptível entre os combates e os espaços sociais. As lutas a 60 quadros por segundo são um destaque, enquanto os lobbies apresentam desempenho inferior.

A ressalva não apaga o acerto nas partidas, mas prejudica a consistência da apresentação. Depois de um confronto fluido, encontrar um espaço de convivência menos estável acaba chamando atenção.

Um anime que funciona tão bem em movimento quanto nas imagens

Visualmente, Granblue Fantasy Versus: Rising possui personalidade de sobra.

Os modelos tridimensionais reproduzem a aparência de uma animação japonesa com poses expressivas, movimentos característicos e um cuidado que ajuda a diferenciar cada integrante do elenco. Não é apenas uma questão de colocar personagens bonitos na tela. A maneira como eles se movimentam também comunica quem são.

Os golpes mais elaborados levam essa proposta ao extremo. Enquadramentos cinematográficos e efeitos chamativos transformam os momentos decisivos em pequenos espetáculos, valorizando aquela oportunidade em que tudo finalmente encaixa.

Granblue Fantasy Versus: Rising 2b
Visuais que lembram muito dragon ball fighter z

Os cenários reforçam o universo de fantasia, enquanto a trilha sonora acompanha a intensidade dos confrontos. Mesmo para quem chega sem familiaridade com Granblue, existe um apelo imediato nessa apresentação.

É o tipo de jogo em que escolher um personagem porque ele parece interessante pode ser o primeiro passo para passar horas aprendendo a jogar com ele.

A campanha funciona melhor como complemento

Fora das partidas competitivas, Rising oferece maneiras de conhecer seu universo com menos pressão.

O modo história apresenta personagens e conflitos por meio de confrontos que incluem inimigos e chefes. Para quem já acompanha Granblue ou quer entender melhor aquele elenco, existe valor nessa aproximação. O problema aparece quando a campanha se torna o principal motivo para comprar o jogo.

A simplificação dos elementos de RPG do primeiro Versus pode decepcionar quem gostava daquela estrutura. Rising concentra seus maiores acertos no sistema de luta e na experiência contra outros jogadores, e o conteúdo narrativo não possui o mesmo peso para todos os públicos.

Os modos arcade e treinamento ajudam a completar a experiência, oferecendo espaço para jogar sozinho e praticar. Já Grand Bruise Legends funciona como uma mudança de ritmo, colocando os personagens em competições multiplayer com obstáculos e provas mais descontraídas.

É uma alternativa simpática entre uma sequência de lutas e outra. Ainda assim, o motivo mais forte para voltar continua sendo o combate tradicional.

As recompensas poderiam acompanhar melhor o ritmo das lutas

Rising também oferece objetivos para quem gosta de desbloquear conteúdo.

Cores, visuais de armas, ilustrações e itens de personalização criam incentivos paralelos ao aprendizado. Nem toda sessão precisa terminar com uma grande evolução competitiva; às vezes, conseguir aquele visual para o personagem favorito já seria uma boa recompensa.

A questão está no tempo necessário para chegar lá.

Alguns itens exigem bastante moeda em relação ao retorno de determinadas atividades. Com isso, a progressão pode parecer lenta, principalmente para quem gosta de completar coleções ou experimentar várias opções de personalização.

Um sistema que deveria acompanhar naturalmente as partidas passa a chamar atenção pela repetição necessária para alcançar certos objetivos.

Também é importante ajustar as expectativas sobre a Legendary Edition. O elenco ampliado e os conteúdos dos passes incluídos não significam acesso automático a todos os cosméticos já lançados. Na chegada ao Switch 2, determinados itens vinculados a passes antigos não estavam imediatamente disponíveis.

É uma distinção relevante para quem espera encontrar tudo reunido em uma única compra.

Veredito Final: A porta de entrada leva bastante longe

Granblue Fantasy Versus: Rising entende que um jogo de luta pode ser acessível sem perder aquilo que torna o gênero interessante.

Os comandos simplificados permitem começar com mais confiança, enquanto a variedade de personagens e as decisões durante os confrontos sustentam o aprendizado por muito mais tempo. A apresentação audiovisual e as melhorias no online completam uma experiência com bons motivos para continuar jogando.

Existem limitações. O ritmo dos desbloqueios poderia ser mais generoso, os lobbies no Switch 2 mereciam acompanhar melhor a fluidez das lutas e o conteúdo solo tem um apelo menos consistente para quem procura uma campanha como atração principal.

Rising também preserva bastante da identidade do primeiro Versus. Quem não gostava de seu ritmo dificilmente encontrará aqui uma transformação completa da fórmula.

Para iniciantes curiosos sobre jogos de luta, fãs de anime e jogadores interessados em investir tempo nos confrontos online, entretanto, a recomendação é bem mais fácil. A Legendary Edition reforça esse apelo com um elenco de 40 personagens e bastante espaço para experimentar.

O maior mérito de Granblue Fantasy Versus: Rising está em fazer o aprendizado parecer parte da diversão desde o começo. Você entra porque consegue executar os golpes. Continua porque começa a entender o que fazer com eles.