Little Nightmares III | Divertido, mas bem aquém do que podia ser — ANÁLISE

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Desenvolvido pela Supermassive Games, Little Nightmares III é o novo capítulo da série da Bandai Namco, buscando se distanciar dos dois primeiros games. Com uma nova história e novos protagonistas, o jogo busca ser um novo início para a série, mas sem deixar de lado sua essência de uma aventura com estilo de animação belíssimo, e repleto de sustos.

Agora, pudemos analisar o terceiro jogo e, embora continue divertido e tenha uma nova proposta interessante, há algumas coisas que precisam ser discutidas, como falarei a seguir.

A história de Little Nightmares III

No game, acompanhamos a dupla Low e Alone, dois amigos que buscam escapar do misterioso Nowhere. Neste lugar, repleto de seres assustadores e perigos por todo lugar, os dois amigos precisam trabalhar juntos para superar os obstáculos e encontrar a saída.

Little Nightmares III
Low e Alone em sua jornada pelo Nowhere.

Assim como os outros jogos da série, a trama de Little Nightmares III fica muito subentendida ao longo da jogatina, e isso não é algo ruim. Na verdade, é muito interessante ir descobrindo o que de fato se trata na narrativa do game, que aborda muitos temas focados nos medos infantis.

Tendo isso em mente, a trama do jogo não possui nada muito mirabolante. Ainda que tenha algumas surpresas, a história contada aqui, especialmente se comparada aos jogos anteriores, parece não possuir a mesma força.

Pelo menos os ambientes são bem bonitos

Apesar da narrativa não possuir o mesmo impacto dos anteriores, o mesmo não pode ser dito dos ambientes. Nesse ponto, Little Nightmares III mais uma vez apresenta fases belíssimas e muito bem elaboradas. Além dos visuais, o design das fases funciona bem para a proposta do jogo.

Contudo, não consigo evitar de dizer que, pelo menos para mim, em muitas ocasiões eu achei a estrutura linear demais, até mesmo em momentos onde o mundo se abria um pouco mais para exploração. Além disso, a curta duração do jogo, cerca de 4h, tornou essa sensação ainda mais evidente.

A trilha sonora também não ajuda muito, pois além do tema do menu, nada é muito marcante. O game conta com muitos momentos sem música, para tornar a imersão nos ambientes gigantes e sombrios ainda melhor, mas outros pontos podiam melhorar com uma música interessante.

A gameplay de Little Nightmares III

No aspecto de gameplay, o jogo também segue o estilo dos seus anteriores, com vários puzzles e obstáculos para o jogador superar ao longo da jogatina. Além disso, existem os “chefes”, que apesar de muito bem pensados e com designs bem feitos, acabam se tornando repetitivos.

Little Nightmares III
Low e Alone precisam, em muitos momentos, coletar baterias de energia durante a gameplay.

Novamente, nada muito mirabolante vindo aqui. Os puzzles são, na verdade, bem mais fáceis do que eu esperava. Apesar de, obviamente, entender que o jogo busca por um público novo, e também mais voltado para crianças, é inegável que, até mesmo para o público infantil, alguns obstáculos parecem fáceis demais.

Outro ponto que deixa a desejar está na exploração. Como já citei antes, a pegada do jogo parece muito linear em todos os momentos. Quando existe a possibilidade de uma exploração, ou locais com segredos, eles também são perceptíveis e fáceis de encontrar. Na verdade, acredito que exista um motivo para o jogo ter sido tão fácil…

Este jogo foi feito para jogar em dupla, mas…

Desde seu anúncio, Little Nightmares III se mostrou muito como um jogo que deveria ser jogado em dupla. Além do óbvio fato de ter dois protagonistas, ao jogar o game solo, a IA que controla o segundo personagem acaba quebrando muito a experiência em vários momentos.

Me peguei em várias ocasiões tentando solucionar um puzzle ou algo do tipo, para alguns segundos depois a IA simplesmente já se posicionar em um local e revelar a solução. Além de ser algo frustrante, parece que o intuito aqui foi simplesmente não permitir que o jogador passe por momentos de “dor de cabeça” com os quebra cabeças.

Little Nightmares III
Um dos primeiros “chefes” do game, já visto na demo oficial.

Como dito antes, muitos momentos do jogo dão a entender que a ideia era que ele seja jogado em dupla. Ele possui um modo co-op online, onde um jogador que possui o game pode convidar um amigo para jogar a campanha. Contudo, os desenvolvedores perderam uma oportunidade com a exclusão do co-op local, pois o game teria muito a ganhar sendo jogado em casa com seu amigo, companheiro e etc.

Conclusão

Buscando ser um novo início para a série, Little Nightmares III não é um jogo ruim. Contudo, é inegável que ele podia ser muito mais do que se propõe. Se você busca por um jogo divertido e curto para passar algumas horas com seu amigo ou parceiro, é válido dar uma chance ao título. Para fãs da série, ele pode ser um pouco decepcionante, mas para recém-chegados, provavelmente ele deve funcionar bem mais.

O jogo chega neste dia 10 de outubro para PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series, Xbox One, Nintendo Switch, Switch 2 e PC.

*O Cromossomo Nerd agradece a Bandai Namco e a TheoGames por fornecer uma chave de acesso no PS5 para esta análise.