My Hero Academia: All’s Justice | Apresentação Forte que tenta segurar o restante — ANÁLISE

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Quando uma das franquias mais adoradas dos últimos anos – My Hero Academia – decide fechar seu ciclo com um título de videogame, as expectativas naturalmente disparam ao máximo. My Hero Academia: All’s Justice, desenvolvido pela Byking Inc. e publicado pela Bandai Namco, chegou PC em 6 de fevereiro de 2026 carregando o peso de adaptar o épico Arco da Guerra Final do anime e manga para os jogos.

Mas será que esse peso se traduz em um título memorável ou se perde no meio de tantos efeitos e ambições?

Rápido, Bonito, mas nem sempre profundo

O sistema de combate é a principal evolução em relação aos títulos anteriores. As lutas em 3v3, com trocas de personagens em tempo real, tornam os confrontos mais dinâmicos e visualmente intensos.

A combinação de habilidades entre heróis e vilões reforça a sensação de escala e poder que define My Hero Academia, especialmente quando entram em cena os golpes especiais e as transformações temporárias.

Na prática, porém, o combate apresenta limitações. Apesar do elenco extenso, muitos personagens compartilham estruturas semelhantes de ataques e estratégias. Com o avanço da campanha, o sistema tende a favorecer o uso repetitivo de habilidades mais eficientes, reduzindo a necessidade de leitura profunda do adversário.

Existe espaço para estratégia, principalmente na composição das equipes, mas ela raramente se aprofunda a ponto de diferenciar claramente jogadores mais experientes.

Modo História: espetáculo para fãs

O Modo História é o eixo central da experiência. Ele recria confrontos importantes do arco final com cenas cinematográficas bem dirigidas e uma trilha sonora que sabe enfatizar momentos decisivos. A narrativa funciona melhor para quem já conhece o universo da série, oferecendo uma experiência que soa como uma extensão direta do anime.

O grande número de personagens jogáveis é um dos principais atrativos. Testar diferentes combinações de equipes reforça a sensação de variedade e progressão. No entanto, o balanceamento irregular faz com que alguns personagens se destaquem muito mais do que outros, limitando a diversidade real nas escolhas mais eficientes.

My Hero Academia All’s Justice history mode
Algumas cenas tem um brilho que lembra muito a serie Storm

Por outro lado, a estrutura do modo é bastante linear e, em alguns momentos, acelerada. Certos eventos importantes passam rápido demais, o que pode dificultar o envolvimento de jogadores menos familiarizados com a obra. Ainda assim, como adaptação, o jogo cumpre seu papel ao entregar impacto emocional e fidelidade ao material original.

Modos extras e exploração: boas ideias, execução limitada

Além da campanha, All’s Justice inclui modos adicionais e áreas semiabertas que tentam diversificar a experiência. A proposta de explorar cenários urbanos e realizar missões secundárias amplia o escopo do jogo, mas a execução carece de refinamento. Os ambientes são pouco interativos, as atividades se repetem rapidamente e a câmera se mostra inconsistente, comprometendo a fluidez da jogabilidade.

My Hero Academia All’s Justice EXTRA Mod
Acredito que para garantir a data de lançamento foi necessário não dar tanta atenção a coisas opcionais

Esses trechos passam a sensação de um conteúdo complementar que não recebeu o mesmo cuidado que o combate principal, funcionando mais como extensão de tempo de jogo do que como um sistema realmente integrado.

Aspectos técnicos no PC

Visualmente, o jogo mantém um padrão elevado. O estilo cel-shaded continua sendo um dos maiores acertos da franquia, com personagens bem modelados e efeitos que reproduzem com fidelidade o visual do anime. Em cenas de ação intensa, o impacto visual é imediato.

Em contrapartida, a versão de PC apresenta problemas de otimização. Quedas de desempenho surgem em batalhas mais caóticas, especialmente quando múltiplos efeitos são exibidos simultaneamente. Ajustes gráficos ajudam a minimizar o problema, mas não eliminam completamente as instabilidades, o que afeta a consistência da experiência.

Considerações finais

My Hero Academia: All’s Justice é, acima de tudo, um jogo pensado para fãs. Ele entrega espetáculo, fidelidade ao material original e momentos que capturam bem a essência da obra. Ao mesmo tempo, suas limitações mecânicas, problemas técnicos e falta de refinamento em modos secundários impedem que ele se destaque como uma evolução significativa dentro do gênero de arena fighters.

Como encerramento da franquia nos videogames, o resultado é sólido e competente. Não é um título revolucionário, mas cumpre seu papel como uma grande celebração de My Hero Academia, oferecendo uma experiência envolvente — ainda que imperfeita — para quem acompanha a série até aqui.