Nioh 3 chega com demônios implacáveis e combate viciante – ANÁLISE

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Nioh 3 chega ao PlayStation 5 e PC como o ápice da jornada da Team Ninja no gênero de RPGs de ação. O título não apenas refina o que vimos nos antecessores, mas introduz uma escala inédita com zonas abertas que substituem a antiga estrutura linear e segmentada.

Além disso, o combate ousa com uma mecânica que reside na alternância dinâmica de estilos de luta, elevando a complexidade de um sistema famoso por não ser nada fácil, mais próximo dos antigos Onimusha do que de Sekiro: Shadows Die Twice.

Com um pacote completo – e ousado – Nioh 3 promete buscar um público maior: fãs dos jogos anteriores, mas também um público fã de RPGs de ação que não dispensa um bom desafio. Será que ele consegue atender esse público? Descubra em nossa análise.

Jornada pelas eras

A narrativa foca na ascensão de Tokugawa Takechiyo, que precisa enfrentar a traição de seu irmão, Kunimatsu, em um Japão assolado por forças sobrenaturais. Consumido pelo poder das trevas, o vilão lidera hordas de Yokai através de fendas temporais, mergulhando o país em um caos absoluto. Cabe ao protagonista restaurar a ordem em uma trama que atravessa séculos de história japonesa.

O jogador percorre períodos icônicos, desde a era Heian até o conturbado Bakumatsu, enfrentando figuras históricas e mitológicas sob uma nova perspectiva sombria. Embora a trama utilize diversos clichês do gênero e apresente personagens com carisma limitado, a ambientação compensa as falhas de roteiro. O mundo é denso e envolvente, servindo como um excelente pano de fundo para a ação desenfreada.

Em termos de conteúdo, a campanha principal é vasta, oferecendo mais de 40 horas de jogo para quem foca apenas nos objetivos centrais. Caso o jogador decida completar todos os Mitos e missões secundárias, a duração pode facilmente ultrapassar a marca das 60 horas. É uma jornada de fôlego, garantindo que o investimento de tempo seja devidamente recompensado com progressão e descobertas constantes.

Samurai ou ninja?

O combate é a alma da experiência, introduzindo um sistema para alternar entre os modos Samurai e Ninja. O primeiro foca na gestão clássica de Ki, defesas pesadas e aparadas precisas. Já o estilo Ninja oferece uma jogabilidade muito mais ágil, priorizando esquivas e o uso estratégico de ferramentas de Ninjutsu.

A grande inovação mecânica reside na alternância dinâmica de estilos de combate, elevando a complexidade das batalhas. Não se trata apenas de trocar de arma, mas de mudar a filosofia de movimentação e resposta aos inimigos em tempo real, o que traz um dinamismo viciante ao combate.

A dualidade de estilos permite criar combos devastadores, onde o jogador inicia um ataque pesado no modo Samurai e finaliza com a mobilidade do Ninja. A curva de aprendizado é íngreme, mas extremamente satisfatória para quem busca dominar sistemas complexos.

Outro destaque é a transição para o modelo de zonas abertas, que permite uma verticalidade que a franquia ainda não havia explorado com tanta confiança. O jogador agora tem liberdade para escolher rotas e abordar objetivos de forma menos engessada, utilizando novas habilidades de movimentação. Esse fôlego extra no design de níveis coloca o jogo em um patamar de exploração muito mais moderno e dinâmico.

As fendas do Umbrasal representam o desafio máximo, onde a mecânica de corrosão de vida entra em cena para punir qualquer descuido do jogador. Ao receber dano nessas áreas, o HP máximo é temporariamente reduzido, forçando uma postura agressiva para recuperar a vitalidade perdida. É um sistema de risco e recompensa que mantém a tensão constante durante toda a exploração dessas zonas infernais.

O gerenciamento de Espíritos Guardiões e o uso de Artefatos Vivos foram aprimorados, oferecendo bônus que mudam drasticamente o curso das batalhas contra chefes. Estes confrontos não são triviais e exigem planejamento antecipado, além de uma leitura impecável dos padrões de ataque dos inimigos. A dificuldade é elevada, mas justa, mantendo o DNA da série de exigir o máximo de cada jogador.

A experiência cooperativa online para até três jogadores é outro ponto alto, adicionando uma camada extra de estratégia e diversão ao título. Coordenar ataques e compartilhar buffs em tempo real torna a exploração dos níveis muito mais dinâmica e menos solitária. Jogar em equipe é uma alternativa excelente para superar os trechos mais árduos ou derrotar chefes que parecem imbatíveis.

Demônios temíveis

No campo visual, Nioh 3 infelizmente decepciona por não aproveitar plenamente o poder da geração atual. Os gráficos parecem datados, com texturas e modelos que não acompanham a evolução vista em outros títulos do mesmo nível. Embora o design artístico dos Yokai seja criativo, a fidelidade técnica geral fica um degrau abaixo do esperado para um lançamento deste porte.

A performance também sofre com instabilidades notáveis, apresentando quedas de FPS tanto no modo fidelidade quanto no modo desempenho. Em um jogo que exige precisão de milissegundos para bloqueios e esquivas, essas oscilações prejudicam o ritmo e a fluidez do combate. Espera-se que patches futuros corrijam esses problemas estruturais para garantir a estabilidade necessária em confrontos intensos.

A trilha sonora, por outro lado, é um dos pontos fortes, entregando temas imersivos que elevam a adrenalina durante as batalhas mais épicas. O design de som é detalhado, permitindo identificar a posição dos inimigos apenas pelos ruídos do ambiente, o que ajuda na navegação.

Em relação à localização, o jogo conta com menus e legendas em português, facilitando o entendimento da complexa árvore de habilidades para o público brasileiro. Infelizmente, não há dublagem disponível em nosso idioma. O suporte ao DualSense é funcional e padrão, sem maiores destaques, com os tradicionais gatilhos adaptáveis e feedback háptico.

Devo investir em Nioh 3?

Nioh 3 é uma evolução interessante que consolida a franquia como uma referência em termos de combate. O título introduz os estilos Samurai e Ninja e possibilita customização de builds profunda, além de zonas abertas e modos de desafio que expandem a longevidade e a diversão do ecossistema de combate.

Apesar de instabilidades de performance e limitações gráficas, a densidade do gameplay justifica plenamente a jornada. A precisão exigida pelo desafio sobrepõe-se aos problemas técnicos, garantindo que a evolução mecânica da franquia permaneça como um investimento indispensável para entusiastas do gênero.

Nioh 3 será lançado para PlayStation 5 e PC em 6 de fevereiro. Uma demo já pode ser baixada para quem quiser experimentar o início da aventura.

*O Cromossomo Nerd agradece a Koei Tecmo e Agência Masamune pela chave de acesso utilizada nesta análise.