Raidou Kuzunoha era uma spin-off dentro do colosso Shin Megami Tensei que, confesso, nunca me cativou. Joguei o original e foi uma das experiências mais frustrantes que tive na franquia — por mais que admirasse o universo, o visual e até as aparições futuras do personagem, não sentia falta dele. Quando anunciaram o RAIDOU Remastered: The Mystery of the Soulless Army, meu lado fã falou mais alto: ‘Claro que vou jogar!’, mas sem expectativas além da curiosidade.
E depois de zerar em três dias, Raidou não só queimou minha língua, como se firmou como um dos títulos mais acessíveis e surpreendentemente bons de SMT. Quer saber como um jogo que eu detestava virou um dos meus favoritos? Essa é mais uma review da Cromossomo Nerd!
Começando pela parte ruim
Infelizmente, nem tudo são flores — e no caso do RAIDOU Remastered: The Mystery of the Soulless Army, o grande calcanhar de Aquiles está justamente na sua fidelidade visual. Apesar de eu não ser fã do jogo original, é inegável que o design icônico de Kazuma Kaneko era um dos seus pontos altíssimos.
O jogo já transpirava personalidade com sua ambientação de época e todo o universo sombrio ao redor, mas o verdadeiro destaque estava nas modelagens únicas, que tinham um charme impossível de replicar… e que, infelizmente, foram totalmente abandonadas no remaster.

Ao migrarem o jogo para a Unity — supostamente para ‘modernizá-lo’ —, a equipe acabou descartando boa parte da identidade artística original. Alguns traços até sobrevivem aqui e ali, mas o resultado final é um visual que oscila entre o genérico e o francamente feio.
Alguns demônios parecem ter saído de um jogo inferior aos padrões do PS2, o que é irônico, já que o estilo artístico bem executado do original justamente evitava esse tipo de problema. Mais uma prova de que, quando se trata de games, um bom direcionamento artístico sempre vence o teste do tempo — mesmo que a tecnologia avance.
Melhorias necessárias para este título
Quando um remaster é anunciado, sempre esperamos melhorias em relação ao original. E este aqui poderia muito bem ser considerado um quase-remake. O jogo original sofria com problemas graves de ritmo, combate travado e grind excessivo, e esta versão eliminou tudo isso com maestria.
O sistema de teleporte, por exemplo, acaba de vez com o insuportável ‘vai e vem’ que tornava a experiência cansativa. Além disso, agora temos marcadores de objetivos que indicam para onde ir na história – um alívio e tanto, já que no original você basicamente precisava adivinhar seu próximo passo, já que o jogo quase não dava dicas.

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Outra mudança brilhante foi remover os encontros aleatórios (random encounters). O original já era lento por natureza, com toda aquela navegação confusa e progressão obscura — e ainda inseriam combates a cada três passos, criando a fórmula perfeita para frustrar qualquer jogador.
Com todas essas melhorias combinadas — o teleporte, os objetivos claros e o fim dos encontros aleatórios — o jogo transformou uma experiência arrastada de 60 horas em um ritmo perfeito de 20 horas, tornando-se uma aventura divertida, dinâmica e, acima de tudo, justa com o tempo do jogador.
A historia agora melhor contada
Seguindo a tradição dos remasters da franquia, RAIDOU Remastered: The Mystery of the Soulless Army inclui dublagem em inglês e japonês — e, como sempre, joguei em japonês (não consigo imaginar um RPG sem essa opção!). Foi uma delícia reconhecer a voz do lendário Takehito Koyasu (DIO em JoJo’s) interpretando um personagem tão calmo e sereno, além de outros veteranos retornando ao elenco. Pelo que vi, a dublagem em inglês também está ótima, então qualquer uma das opções vai agradar.
Com as melhorias de ritmo, a história de Raidou finalmente brilha como uma das melhores da série SMT. É uma investigação sobrenatural que mistura todos os elementos clássicos da franquia — temas pesados como suicídio, controle governamental, opressão das classes baixas e a luta impotente contra uma elite corrupta — com vilões carismáticos que dão peso ao conflito. Tudo isso forma uma narrativa redonda que, de quebra, expande o cânone da série de maneira significativa.

E não posso deixar de destacar os casos opcionais, uma adição inteligentíssima. São missões secundárias que trazem histórias extras inéditas (ausentes no original), e mesmo sendo curtas, entregam itens valiosos enquanto aprofundam o mundo de Raidou. Essas pequenas histórias humanizam o protagonista e fazem você se conectar ainda mais com os personagens ao seu redor — um aperfeiçoamento discreto, mas que faz toda a diferença.
E, por fim, o mais importante: o combate
O combate sempre foi o calcanhar de Aquiles do original — como um dos primeiros action-RPGs da franquia, ele sofria de uma identidade crises: tentava ser turn-based e ação ao mesmo tempo, mas falhava nos dois aspectos.
Com apenas um demônio parceiro e mecânicas travadas, a experiência era repetitiva e limitada. Felizmente, o RRAIDOU Remastered: The Mystery of the Soulless Army reformulou tudo do zero, transformando-o num button-smash surpreendentemente viciante.
Agora, Raidou pode invocar dois demônios simultâneos (um avanço do segundo jogo), e o sistema ganhou profundidade: cada criatura tem habilidades elementais únicas, combos variados e uma liberdade tática que faltava no original. Não espere a complexidade de um DMC 5, mas a diversão é garantida — cada encontro flui com um ritmo muito mais dinâmico, graças às mecânicas repaginadas.

Porém, nem tudo são flores: a arma de Raidou perdeu suas balas elementais, um recurso estratégico que ajudava contra inimigos específicos. Sem elas, o protagonista fica um pouco limitado em certos confrontos. A boa notícia? Os novos ataques especiais (inspirados no segundo jogo) compensam parcialmente essa perda, integrando-se bem ao sistema de elementos. E se a remoção parece estranha agora, fará sentido quando o remake do segundo jogo chegar — lá, essa mecânica também foi abandonada. No fim, as melhorias superam as perdas, deixando o combate muito mais satisfatório que no original.
Conclusão
RAIDOU Remastered: The Mystery of the Soulless Army é nada menos que um milagre para os fãs da franquia. Um presente inesperado que prova como a Atlus finalmente dominou a arte dos remasters — não só corrigindo os erros do original, mas adicionando camadas de refinamento onde eram necessárias. O resultado? Uma experiência que respeita a essência do jogo enquanto o eleva a novos patamares.
Este trabalho massivo de reconstrução — desde o combate redesenhado até a adição inteligente de casos secundários — mostra um cuidado raro com a preservação da identidade da série. Se esse for o novo padrão da Atlus para remasters, então os fãs de Shin Megami Tensei podem comemorar: o futuro da franquia está em boas mãos.























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