Resident Evil Requiem | Guia completo do que você precisa saber antes de jogar

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Com o lançamento de Resident Evil Requiem cada vez mais próximo, nunca houve um momento melhor para desenterrar o passado da franquia e relembrar a jornada até aqui. O título não marca apenas o próximo capítulo de uma das sagas mais icônicas dos videogames, mas serve como uma celebração de 30 anos da franquia.

Desde sua estreia no PlayStation em 1996, a história de Resident Evil se tornou interconectada e profundamente emaranhada, como uma mutação do T-Vírus. Para entender o peso da jornada da nova aventura, precisamos revisitar as décadas de medo, conspiração e bioengenharia.

Pegue seu spray e verifique sua munição, vamos começar!

O Marco Zero: A conspiração no Expresso Ecliptic

Muito antes de Chris Redfield se tornar uma lenda militar, o pesadelo foi arquitetado por três nomes: Edward Ashford, James Marcus e o calculista Ozwell E. Spencer.

Após descobrirem o vírus “Progenitor” na África — uma cepa antiga capaz de reescrever o DNA —, o trio fundou a Umbrella Corporation. O objetivo público era farmacêutico; o real, a evolução humana forçada.

Enquanto o mundo consumia produtos inofensivos da Umbrella, a empresa operava laboratórios secretos. A arrogância culminou no incidente nas Montanhas Arklay, o vazamento do T-Virus na Mansão Spencer e arredores, que resultou em uma série de assassinatos canibais.

A médica novata da S.T.A.R.S. (Special Tactics and Rescue Research, a unidade de elite do Departamento de Polícia de Raccoon City), Rebecca Chambers e o prisioneiro Billy Coen foram as primeiras testemunhas dos horrores biológicos criados pela corporação a bordo de um trem condenado.

Por último, uma investigação revelou que James Marcus, traído e assassinado anos antes, havia ressuscitado para buscar vingança.

O Incidente Arklay: traição na Mansão Spencer

Enviados para resgatar a equipe Bravo, o Time Alpha dos S.T.A.R.S. — incluindo Jill Valentine, Chris Redfield, Barry Burton e o capitão Albert Wesker — buscou abrigo na Mansão Spencer.

O local não era um refúgio, mas um ecossistema letal de zumbis e armas biológicas (B.O.W.s). A maior reviravolta, no entanto, veio de dentro da própria equipe.

Wesker revelou-se um agente duplo da Umbrella, utilizando seus subordinados como cobaias para testar o Tyrant, a “forma de vida suprema”. O plano falhou quando a criatura se voltou contra seu mestre.

Chris e Jill escaparam, mas aprenderam uma lição dura: a Umbrella era intocável e não deixaria testemunhas vivas para contar a história.

Caos metropolitano: o colapso de Raccoon City

Meses depois, o horror desceu das montanhas para a metrópole. Em setembro de 1998, exatos dois meses após os eventos na Mansão Spencer, o T-Vírus contaminou o suprimento de água de Raccoon City, transformando a cidade em uma necrópole em questão de dias.

O policial novato Leon S. Kennedy e Claire Redfield, irmã de Chris, se viram no centro do caos, enfrentando as abominações criadas pelo G-Vírus do cientista William Birkin. Diferente do T-Vírus, o “G” causava mutações constantes e imprevisíveis.

Simultaneamente, Jill Valentine tentava escapar da cidade enquanto era caçada pelo Nemesis, uma arma biológica enviada especificamente para eliminar os S.T.A.R.S. restantes.

A contenção falhou de forma tão catastrófica que o governo dos EUA autorizou um ataque nuclear, varrendo Raccoon City do mapa para sempre (ao menos era o que acreditávamos).

Este evento, que culminou na destruição total da cidade por um míssil termobárico, serve como o marco zero para os eventos de Requiem, que traz Grace Ashcroft de volta às ruínas da região décadas depois.

Code Veronica: a ascensão de Wesker

Como era de se esperar, a destruição de Raccoon City não matou a Umbrella. A busca de Claire por seu irmão a levou à Ilha Rockfort, uma prisão controlada pela instável família Ashford.

O ponto crucial deste capítulo foi o retorno definitivo de Albert Wesker. Tendo sobrevivido à mansão através de um vírus experimental, ele retornou com habilidades sobre-humanas.

Wesker conseguiu obter amostras do vírus T-Veronica, garantindo que o legado da Umbrella continuasse vivo no mercado negro, agora descentralizado e global.

Bioterrorismo global: Las Plagas e Uroboros

A série mudou drasticamente em Resident Evil 4. Leon S. Kennedy, agora um agente de elite do governo, viajou para a Espanha para resgatar a filha do presidente. Lá, ele encontrou o Las Plagas — não um vírus, mas um parasita antigo que permitia aos hospedeiros manterem a inteligência e coordenarem ataques organizados.

Essa escalada culminou em Resident Evil 5. Chris Redfield, um dos fundadores da BSAA (Bioterrorism Security Assessment Alliance), uma organização que nasceu como uma ONG para conter o legado da Umbrella, mas que se tornou uma força militar global sob a jurisdição da ONU, descobre na África que a corporação TRICELL herdou as pesquisas biológicas ilegais.

O confronto final contra Albert Wesker, que planejava a saturação global com o vírus Uroboros, encerrou um arco de décadas com a morte do vilão em um vulcão, alterando permanentemente o equilíbrio do bioterrorismo no mundo.

Apesar da queda de Wesker, o mundo enfrentou seu momento mais sombrio em Resident Evil 6, quando o C-Vírus desencadeou ataques bioterroristas coordenados em escala global, atingindo desde os Estados Unidos até a China.

Pela primeira vez, ícones como Leon S. Kennedy e Chris Redfield uniram forças para deter a Neo-Umbrella e os planos da organização Família, que buscavam remodelar a ordem mundial através do caos biológico.

O incidente resultou na morte do presidente americano e na transformação de metrópoles inteiras em zonas de guerra, provando que as armas biológicas haviam se tornado uma ameaça política e militar incontrolável.

A era Winters: o Mofo e o horror psicológico

Após o caos global de Resident Evil 6, a franquia voltou-se para o horror pessoal com a jornada de Ethan Winters. O civil viajou até a Louisiana em busca de sua esposa, Mia, desaparecida há três anos, mas encontrou a bizarra família Baker.

O grupo havia sido infectado por Eveline, uma arma biológica senciente conhecida como E-001 (E-Series), capaz de secretar o ‘Mofo’ e controlar a mente de suas vítimas através de uma conexão fúngica.

Embora Ethan tenha conseguido resgatar Mia e destruir a ameaça de Eveline, a vitória teve um custo invisível. O casal viveu alguns anos em relativa tranquilidade sob a proteção da BSAA, reconstruindo sua vida na Europa e celebrando o nascimento da filha, Rosemary.

No entanto, essa paz foi estilhaçada em Village, quando Ethan se viu forçado a perseguir Rose, que foi sequestrada e levada para um vilarejo remoto nas mãos de Mãe Miranda, a mentora por trás das pesquisas que deram origem ao próprio Mofo e também às bases para a Umbrella.

A revelação chocante foi que o próprio Ethan havia morrido anos antes, existindo apenas como uma construção de Mofo consciente. Seu sacrifício final salvou Rose, mas deixou Chris Redfield com dúvidas sobre a própria BSAA, que começou a utilizar armas biológicas em campo.

Requiem: o retorno às cinzas e o futuro

Após décadas de expansão global e ameaças biológicas em larga escala, a franquia retorna às suas raízes para um acerto de contas definitivo. Trinta anos após a bomba cair sobre Raccoon City, Resident Evil Requiem situa-se nos dias atuais com a promessa de encerrar o ciclo iniciado em 1998.

A história introduz Grace Ashcroft, filha de Alyssa Ashcroft, uma das sobreviventes do desastre original. Como repórter investigativa do Raccoon Press, Alyssa foi peça-chave nos eventos de Resident Evil Outbreak, que narra a luta de civis durante o surto simultâneo de RE2 e RE3, utilizando seu faro jornalístico para documentar a queda da cidade e escapar.

Décadas depois, Grace herda essa mesma obstinação ao viajar até um hotel decadente no Meio-Oeste americano. O que começa como uma busca por respostas sobre o assassinato de sua mãe logo se transforma em um pesadelo familiar, revelando que os segredos que Alyssa carregava sobre a Umbrella ainda possuem ecos mortais no presente.

A busca da protagonista a levará inevitavelmente de volta ao epicentro de tudo: a Zona Morta, as ruínas radioativas e proibidas de Raccoon City. Lá, Grace terá que unir forças com um envelhecido Leon S. Kennedy.

Ao longo dos anos, Leon tornou-se o protagonista mais icônico da saga, mas sua trajetória marcada por perdas parece chegar a um limite sombrio. Rumores indicam que o veterano pode estar lutando contra a própria infecção, um destino irônico para quem sobreviveu a tantos surtos.

A menção a Alyssa Ashcroft sugere que a Capcom está canonizando eventos de jogos derivados. Com a promessa de esclarecer quem construiu instalações nas cinzas da cidade e qual é o novo legado da Umbrella, Requiem promete trazer o desfecho de três décadas de história e pavimentar o caminho para o futuro da saga.

Resident Evil Requiem será lançado em 27 de fevereiro de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC via Steam.