Celebrar três décadas de uma franquia não é apenas uma questão de nostalgia, mas de autoconhecimento. Resident Evil Requiem surge como a resposta definitiva da Capcom ao traumático legado de Resident Evil 6, abandonando a estrutura “Frankenstein” para entregar uma obra-prima de coesão.
O título não apenas celebra os 30 anos da saga, como também refina os experimentos de terror em primeira pessoa de RE7 e a ação coreografada de RE4 Remake em um único ecossistema.
O título chega como o jogo mais aguardado da desenvolvedora, que vive um momento de alta graças aos remakes e ao sucesso da saga Winters. Conseguirão Grace e Leon levar a franquia para o próximo nível? O Cromossomo Nerd responde a esta questão agora!
Grace, Leon e o pesadelo de Raccoon City
A trama nos apresenta a Grace Ashcroft, uma agente do FBI cuja inexperiência de campo serve como o condutor perfeito para o horror psicológico, e o retorno de Leon S. Kennedy, agora um veterano exausto e debilitado, lutando contra o tempo.
Ambos são lançados no epicentro de um novo surto no Rhodes Hill Care Center, onde um vírus modificado permite que os infectados retenham fragmentos de suas memórias, transformando zumbis genéricos em ameaças táticas com propósitos distorcidos.

A narrativa de Requiem se sustenta em um roteiro que entende o valor do “silêncio” antes da tempestade. Ao colocar Grace no centro de uma investigação que revisita o passado de sua mãe, Alyssa Ashcroft (Resident Evil Outbreak), o estúdio estabelece uma conexão emocional que transcende o simples bioterrorismo.
A jornada da protagonista não é sobre salvar o mundo, mas sobre sobreviver a um trauma familiar manifestado em corredores estéreis. Essa abordagem intimista confere aos antagonistas, como o peculiar Victor Gideon, uma camada de interesse que mantém o jogador ávido por cada arquivo coletado.

Por outro lado, a presença de Leon traz o peso histórico da franquia. Ele representa o “Velho Logan” da série: cínico e fisicamente castigado por uma infecção desconhecida, mas ainda capaz de disparar as famosas piadas que aliviam a tensão após encontros brutais.
O contraste entre a “marcha de agonia” de Grace e a “fantasia de poder” de Leon é o que evita o cansaço narrativo ao longo de suas 10 horas. Embora o terço final em Raccoon City se apoie no fan service e em aparições clássicas que beiram o excesso, a sensibilidade do tratamento eleva o jogo a uma reflexão interna sobre o significado de Resident Evil após trinta anos.
Do medo à porradaria
O gameplay de Requiem é uma verdadeira aula de gerenciamento de tensão. Com Grace, a experiência é puramente tática e claustrofóbica. A perspectiva em primeira pessoa, aliada à “tremedeira” simulada das mãos, cria uma conexão visceral com o ambiente onde o combate é o último recurso.
O jogador deve dominar a navegação labiríntica do hospital e resolver puzzles complexos com blocos de quartzo enquanto evita perseguidores implacáveis, como “A Garota” e o aterrorizante Chef zumbi.

A introdução da pistola Requiem, uma arma devastadora, resume essa filosofia: o poder existe, mas o erro é fatal. É um retorno às raízes do Survival Horror, onde a economia de recursos dita o ritmo da exploração.
A transição para Leon funciona no polo oposto. Em terceira pessoa, o veterano introduz um sistema de combate fluido que combina disparos de precisão com um parry renovado, utilizando um machado de combate que pode ser afiado em tempo real. É como assistir a John Wick matando zumbis — um resgate da ação frenética que ajuda a regular o cortisol após os sustos com Grace.

Essa alternância impede a fadiga do terror: o jogador passa horas sendo caçado com Grace apenas para, momentos depois, retornar às mesmas salas como Leon e dizimar as ameaças com um arsenal pesado.
A IA dos inimigos, que agora utilizam memórias para empunhar rifles ou bisturis, exige adaptação constante. É uma sacada genial que une os mortos-vivos clássicos ao desafio técnico dos Ganados de RE4. Para os veteranos, o Modo Clássico oferece salvamentos limitados e criação de itens mais rígida, exigindo domínio absoluto dos mapas.
Sangue, escuridão e o show da RE Engine
Requiem é o ápice da RE Engine. No PlayStation 5, a fidelidade visual é desconcertante; a anatomia dos novos inimigos exibe texturas de pele e fluidos que utilizam Ray Tracing para reagir à lanterna de forma hiper-realista.
A iluminação dinâmica é funcional: zumbis “zeladores” apagam as luzes para ganhar vantagem no escuro, forçando o jogador a lidar com sombras que mascaram ameaças reais. O desempenho é impecável, mantendo 60 FPS constantes mesmo em áreas complexas.

A mecânica de sangue e desmembramento é o pilar da satisfação visual. Ver um zumbi se transformar em uma massa de tecidos expostos e sangue borbulhante após um golpe de machado demonstra o poder do motor gráfico. O feedback tátil do DualSense simula com precisão a resistência dos gatilhos e o peso de cada arma.
O design de som também merece destaque, com uma espacialidade sonora tão precisa que o som de uma garrafa derrubada nas paredes adjacentes serve como guia de sobrevivência. Resident Evil Requiem conta com dublagem em português brasileiro de excelente qualidade. Tanto as vozes quanto a tradução e localização estão impecáveis, respeitando o nosso idioma.

O único obstáculo técnico reside na direção de arte da reta final: após a riqueza visual do hospital, as áreas externas de Raccoon City recorrem a tons beges e marrons repetitivos e menos inspirados que o design opressor da primeira metade do jogo.
Devo investir em Resident Evil Requiem?
Resident Evil Requiem finalmente harmoniza as facetas díspares da franquia em uma melodia perfeita. Ao colocar medo real no jogador e divertir com combate no estilo John Wick, a Capcom entrega um título que é, simultaneamente, uma despedida solene e um recomeço vigoroso.
Seu maior trunfo é o respeito ao tempo do jogador: uma experiência densa, sem gorduras e com um valor de replay imenso através de seus inúmeros desbloqueáveis. Requiem não é apenas mais um capítulo; é o Resident Evil definitivo da era moderna.

Resident Evil Requiem já está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC.
*O Cromossomo Nerd agradece a Capcom e a TheoGames pela cópia do jogo no PS5 para esta review.





















![[GUIA] The Last of Us 2 | Localização e senha de todos os cofres!](https://i0.wp.com/cromossomonerd.com.br/wp-content/uploads/2020/06/last-of-us-cofre-capa.png?resize=100%2C70&ssl=1)

