The Alters é uma aventura criativa de autoconhecimento — ANÁLISE

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Tivemos a oportunidade de testar The Alters e trazemos agora nossa humilde opinião sobre um dos jogos mais interessantes lançados até este momento de 2025. O título lembra bastante o filme Mickey 17, mas trabalha melhor sua ideia, com uma proposta original mais bem executada.

Com uma história envolvente e uma gameplay de gerenciamento que raramente cansa, The Alters se mostra uma surpresa muito agradável. Agora, vamos entender melhor o que essa nova joia do ano tem para oferecer.

The Alters e a história de um futuro distópico

Inicialmente, controlamos Jan Dolski, um homem com um futuro promissor que, por falta de sorte, entra no Projeto Dolly em busca de uma nova chance. E não, não estamos falando do refrigerante.

Dolski embarca em uma missão para encontrar Rapidium, um material que pode mudar a história da humanidade. No entanto, ao chegar no planeta que contém grandes concentrações da substância, toda a tripulação morre misteriosamente. Apenas Dolski sobrevive.

the alters

Preso em um planeta perigoso e com uma ameaça iminente se aproximando, o protagonista precisa operar uma base móvel para escapar. No entanto, a base depende de uma equipe, e é aí que entra a mecânica principal do jogo: se duplicar.

Com isso, The Alters entrega uma experiência que lembra Mickey 17, mas com um peso emocional mais profundo para as cópias do protagonista.

A narrativa se desenvolve a partir disso, enquanto descobrimos mais sobre a corporação Ally e os mistérios do planeta. A história avança por meio de cutscenes rápidas, mensagens do computador quântico e diálogos com os Alters.

A construção de memórias com os Alters enriquece a trama e cria conexões emocionais únicas. Embora sejam cópias de Jan, cada Alter carrega sua própria personalidade e vivência, tornando a jornada ainda mais interessante.

Gameplay de gerenciamento que surpreende

Desenvolvido pelo mesmo estúdio de Frostpunk, The Alters se destaca com um sistema de gerenciamento de base e recursos extremamente satisfatório.

Todos os dias precisamos realizar tarefas para aprimorar a base e aumentar nossas chances de sobrevivência. Existe um tempo limite para ficar do lado de fora, além de uma barra de energia. Se você exagerar no trabalho, Dolski se cansa.

Como fazer tudo sozinho é impossível, precisamos contar com a ajuda dos Alters. Mesmo que eles não sejam especializados em determinadas tarefas, ainda podem executá-las. No entanto, o ideal é focar cada um em suas especialidades.

A criação dos Alters é, sem dúvida, o ponto mais interessante. Usamos o computador quântico para acessar as memórias de vida de Jan e criar ramificações. Assim, desenvolvemos novas versões com habilidades específicas, com base nessas memórias.

Além disso, o gerenciamento da base móvel é totalmente personalizável. Isso agrada bastante quem curte criar e moldar seu próprio lar dentro do jogo.

Gráficos impressionam com uma direção de arte marcante

Os gráficos de The Alters são outro ponto forte. Os cenários de um planeta praticamente sem vida são cativantes e bem detalhados. Os efeitos visuais e o nível de detalhe da base, em qualquer ângulo de câmera, chamam a atenção.

As artes que representam as memórias dos personagens também se destacam. Elas ajudam a contar histórias com base nas ramificações criadas, e impressionam pela beleza.

Dentro da base, o visual é igualmente rico. O contraste entre os ambientes internos e externos reforça a sensação de isolamento e perigo.

Trilha sonora que acompanha bem, mas não surpreende

A trilha sonora de The Alters cumpre bem o seu papel. Ela se encaixa nos momentos certos e ajuda a manter a imersão, mas não chega a se destacar muito.

Há faixas interessantes, porém limitadas em estilo e quantidade. O número de músicas disponíveis no Spotify também é baixo, o que confirma essa limitação.

Imersão profunda do começo ao fim

A imersão em The Alters é um dos maiores destaques. Após o prólogo, a história começa a crescer de forma consistente, e os desafios mantêm o jogador interessado.

O envolvimento com os Alters e o mistério da história tornam difícil largar o controle. Quanto mais você joga, mais quer saber sobre o destino de Jan Dolski e suas cópias.

No entanto, o jogo tem duração relativamente curta. São cerca de 16 horas para concluir a campanha principal. Isso significa que, se você se envolver demais, vai acabar rápido.

Otimização poderia ser melhor

A análise foi feita no PlayStation 5, que oferece dois modos gráficos: qualidade e desempenho. No modo qualidade, os visuais ficam ainda mais bonitos, mas há uma perda notável de fluidez.

Já no modo desempenho, a jogabilidade se torna mais leve e suave. Mesmo assim, o jogo apresenta alguns problemas visuais, como bugs e atrasos na renderização de texturas, especialmente nos rostos dos personagens.

Apesar disso, esses problemas não comprometem a experiência. Ainda assim, é algo que pode ser ajustado com futuras atualizações.

O veredito

The Alters é uma das maiores surpresas de 2025 até agora. O jogo entrega uma narrativa envolvente, mecânicas sólidas de gerenciamento e uma imersão emocional rara de se ver em títulos do gênero. A criação dos Alters e a forma como cada um ganha vida com sua própria história elevam a experiência narrativa a um novo patamar.

Mesmo com pequenos problemas de otimização e uma trilha sonora que poderia ter mais destaque, o jogo compensa com gráficos belíssimos, direção de arte inspirada e uma gameplay que prende do começo ao fim.

Se você curte jogos com foco em história e gerenciamento — e gostou de Frostpunk ou Mickey 17 —, The Alters é uma joia que merece sua atenção.