Tomb Raider IV-VI Remastered | Coletânea encerra revitalização dos clássicos — ANÁLISE

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Após adquirir a franquia Tomb Raider, o Embracer Group, e a sua recém adquirida Crystal Dynamics, anunciaram que trariam de volta os primeiros jogos da série. Com duas coletâneas, as primeiras trilogisa de Lara Croft retornariam com visuais melhorados e outras novidades na geração atual de consoles.

Nestes lançamentos, temos a coleção IV-VI, contando com a famigerada Trilogia Darkness, considerada por muitos o declínio da franquia. Sinto dizer que, embora tenha novidades, ela continua igual há 20 anos atrás.

Tomb Raider se perdeu justamente pela falta de inovação

Após a bem sucedida primeira trilogia da série, muitos jogadores, tanto novos quanto antigos, concordam que Tomb Raider foi se perdendo na repetição. Além disso, o famigerado último jogo da coletânea, Angel of Darkness, até hoje é considerado o causador da queda da saga de Lara Croft, com um lançamento completamente conturbado.

Tomb Raider Chronicles

Junte isso com a falta de modernização na gameplay ao longo dos anos, temos um dos motivos da série perder apresso com o tempo, a repetição e falta de novos aspectos. E, infelizmente vemos que nessa coletânea o mal continua.

Apesar da tentativa da Aspyr Media de criar um sistema que emula controles modernos, o que pode facilitar um pouco a jogatina especialmente para novos jogadores, isto não tira o fato da dificuldade de respostas de botões e os terríveis ângulos de câmera.

Além disso, em se tratando mais uma vez do último jogo da coleção, este em específico só se torna jogável com os controles modernos. Mesmo com a suada tentativa de tornar o jogo melhor, até no aspecto gráfico ele parece o menos interessante dos 3.

Assim como a coleção de Legacy of Kain: Soul Reaver, com um simples aperto de botão os gráficos mudam para seu aspecto original, o que no caso de Angel of Darkness, é uma mudança bem menos perceptível.

Pelo menos a localização tá interessante, até certo ponto

Por sorte, embora as melhorias de gameplay sejam um pouco aquém do deviam ser, o trabalho de localização é competente. Com os dois primeiros jogos da coletânea, é a primeira vez que eles chegam com legendas em português do Brasil às lojas.

Mais uma vez, a ovelha negra está com Angel of Darkness, que graças a sua dublagem “peculiar”, deixa a experiência um pouco… estranha.

O combate de Tomb Raider clássico nunca foi bom

Ainda no quesito repetição e, como costumo falar, uma prova de que algo é “um produto do seu tempo”, temos o famigerado combate dos primeiros Tomb Raider. Embora a trama dos jogos originais, a solução de puzzles, e o carisma de Lara Croft sejam fatores gigantes desses games, o combate é, sem sombra de dúvida, seu pior inimigo.

Tomb Raider

Além disso, a coletânea decidiu trazer de volta alguns aspectos que, nos originais, não existiam ou foram deixados de lado. Dentre eles, temos a mecânica de poder se esconder nas paredes e usar a cobertura para atirar.

Contudo, infelizmente isso foi deixado de lado por um motivo, ele não funciona muito bem. Com os movimentos lentos de Lara, a demora para essa mecânica funcionar é tanta que, basicamente, ela se torna inútil. Basicamente, os inimigos a alcançam antes de qualquer chance de um tiro ser feito.

Ou seja, no fim das contas, algo que já era ruim, acabou ficando pior.

Melhoras de desempenho com consequências

Além da melhorias gráficas, a coletânea IV-VI trouxe melhorias para os jogos V e VI, que nos seus lançamentos originais possuiam diversos problemas de travamentos, lentidão e outros. Essas questões foram resolvidas, e isso é um bom mérito para a nova versão. Contudo, parece que, em troca outros problemas surgiram.

Em muitos momentos, especialmente durante cutscenes ou falas, ocorreram desincronizações dentre o som e o que estava acontecendo em tela. Além disso, o volume dos efeitos sonoros possui um enorme problema, onde muitas ocasiões ele surge muito alto ou praticamente inaudível.

Pelo menos os cenários estão bem bonitos.

Junto ao problema de som, em alguns momentos percebi os cenários simplesmente desaparecendo da tela. Claro, esse tipo de problema é comum em jogos da era PS1, mas que, com a chegada das remasterizações, deveriam, pelo menos, não ser notados com frequência pelos jogadores.

Conclusão

Assim como na época dos seus lançamentos, Tomb Raider IV-VI é uma queda em comparação ao seu anterior. Mas a culpa não é necessariamente da coletânea. É provavel que, assim como a coleção I-III, o game seja atualizado ao longo do tempo, e as melhorias tornem a experiência mais interessante, assim levando Lara Croft para o altar que ela merece na história dos videogames.