Virtua Fighter 5 R.E.V.O. World Stage | Mais uma nova versão, os mesmos velhos problemas — ANÁLISE

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Virtua Fighter sempre carregou o peso de ser um dos pioneiros dos jogos de luta em 3D, disputando espaço com Tekken nos anos 90 e início dos 2000. Porém, enquanto a concorrência soube se reinventar e conquistar novos públicos, a franquia da SEGA acabou ficando para trás, presa em relançamentos de sua quinta entrada.

Agora, com Virtua Fighter 5 R.E.V.O. World Stage., temos mais uma tentativa de revitalizar o título — a quarta versão do mesmo jogo — que mistura avanços técnicos com velhos problemas.

O novo em Virtua Fighter 5 R.E.V.O. World Stage

Do lado positivo, há melhorias que não podem ser ignoradas. O rebalanceamento de gameplay é sólido e corrige falhas antigas, mantendo o foco no combate corpo a corpo, sem poderes ou habilidades especiais, o que reforça a identidade única da série.

Para quem aprecia a técnica e a precisão, este é um Virtua Fighter mais refinado, que valoriza a habilidade do jogador. Além disso, os gráficos receberam uma atualização massiva: no PC, o jogo roda em 4K e apresenta cenários belíssimos, alguns dos mais impressionantes já vistos na franquia.

Virtua Fighter 5 R.E.V.O. World Stage Fighting
Cenários lindos, apesar de a gente já ter visto diversas vezes

Os modelos dos personagens também foram retrabalhados, trazendo um ar nostálgico que remete ao início da série, mas com qualidade moderna. A inclusão de Dural como personagem jogável é outro aceno aos fãs veteranos, oferecendo algo inédito dentro da própria história da franquia.

O velho

No entanto, quando olhamos para o conteúdo oferecido, a sensação é de que o jogo ainda não aprendeu com os erros do passado. Para jogadores casuais, Virtua Fighter 5 R.E.V.O. World Stage entrega apenas um modo arcade simplório e um modo de treino limitado.

O treino cumpre o básico, mas falta recursos que já são padrão no gênero há mais de uma década, como demonstrações da CPU ou dicas visuais para facilitar o aprendizado. O arcade, por sua vez, não oferece narrativa ou elementos que incentivem a rejogabilidade, lembrando a falta de conteúdo inicial de Street Fighter V. Isso torna difícil atrair novos jogadores, justamente o público que a SEGA deveria conquistar.

O problemático em Virtua Fighter 5 R.E.V.O. World Stage

Outro ponto polêmico é a customização. Em versões anteriores, esse recurso era um dos atrativos, com visuais inspirados em Yakuza e na própria franquia Virtua Fighter. No R.E.V.O., parte dessas opções foi removida e substituída por DLCs pagas, o que soa como um retrocesso para um título que já deveria consolidar todo o conteúdo lançado ao longo dos anos.

O online também decepciona: apesar da promessa de rollback netcode e crossplay, a versão final apresenta instabilidades e até crashes, algo que funcionava melhor na fase beta do jogo.

Virtua Fighter 5 R.E.V.O. World Stage é, portanto, um título que brilha em aspectos técnicos e visuais, mas tropeça em pontos fundamentais para manter a relevância no mercado atual. Para os veteranos, é uma versão que traz melhorias palpáveis e pode ser considerada a mais refinada até agora.

Para os novatos, porém, a falta de conteúdo acessível e os problemas no online tornam a experiência pouco convidativa. No fim, R.E.V.O. soa mais como uma ponte do que como um renascimento — um passo intermediário que mantém a franquia viva, mas que deixa claro que o verdadeiro futuro só virá com um novo Virtua Fighter.