Crisis Core no Switch 2 é o jogo indispensável para quem ama Final Fantasy VII

0
87

Lançado de surpresa pela Square Enix em 9 de setembro, Crisis Core –Final Fantasy VII– Reunion ganhou uma versão nativa para Nintendo Switch 2 quase quatro anos após chegar ao primeiro Switch. Mais do que simplesmente ampliar o catálogo do novo console, o lançamento coloca uma peça fundamental da história de Final Fantasy VII ao lado de Remake e Rebirth na plataforma da Nintendo.

Para quem acompanhou nossa análise da versão lançada em 2022, esta não pretende revisitar todos os méritos e problemas de Reunion. A proposta agora consiste em descobrir quanto o hardware do Switch 2 melhora a experiência e, principalmente, se vale a pena conhecer (ou retornar) à jornada de Zack Fair nesta nova edição.

De um exclusivo do PSP a uma peça fundamental de Final Fantasy VII

Antes de falar sobre gráficos e desempenho, vale voltar quase duas décadas. O Crisis Core original nasceu no PSP e chegou ao Japão em 13 de setembro de 2007, justamente no ano em que Final Fantasy VII completava seu décimo aniversário. Na época, a Square Enix chegou a lançar uma edição limitada acompanhada por um PSP-2000 personalizado, restrita a 77.777 unidades.

Sua história começa sete anos antes dos acontecimentos de Final Fantasy VII e acompanha Zack Fair, inicialmente um SOLDIER de 2ª Classe da Shinra. Ao lado de Angeal e Sephiroth, o protagonista acaba envolvido na investigação do desaparecimento de diversos membros da SOLDIER, acontecimento que gradualmente revela experimentos científicos, conspirações e alguns dos eventos responsáveis por definir o futuro de Cloud Strife.

Durante muito tempo, conhecer essa história significava ter acesso a um PSP. A situação mudou em 2022 com Crisis Core –Final Fantasy VII– Reunion, uma remasterização extremamente mais ambiciosa do que o termo normalmente sugere, trazendo modelos reconstruídos, cenários renovados, interface redesenhada, diálogos totalmente dublados, novos arranjos para a trilha sonora e profundas alterações no sistema de combate.

Na análise publicada naquela época, consideramos Reunion um jogo extremamente necessário para a franquia. Depois de Remake, Rebirth e das mudanças promovidas pela nova trilogia, essa afirmação ganhou ainda mais força. Zack deixou de representar apenas uma figura importante do passado de Cloud e passou a ocupar uma posição ainda mais intrigante dentro do universo atual de Final Fantasy VII.

O que realmente muda em Crisis Core para Nintendo Switch 2?

Quem espera missões, cenas ou capítulos inéditos na versão nativa de Crisis Core –Final Fantasy VII– Reunion para o Switch 2 deve controlar as expectativas. A nova versão mantém o mesmo conteúdo lançado em 2022. As novidades realmente exclusivas desta versão aparecem no aspecto técnico, e justamente nesse ponto encontramos uma diferença enorme em relação ao primeiro console.

No Switch original, Reunion trabalhava com resolução de 1280 x 720 pixels tanto no modo portátil quanto conectado à TV, acompanhado por uma meta de 30 FPS. Apesar de competente considerando as limitações do aparelho, essa edição claramente ficava abaixo das versões para PS5 e Xbox Series X|S, principalmente na resolução, qualidade das sombras, efeitos e estabilidade da imagem.

O Switch 2 muda esse cenário ao oferecer dois modos gráficos. No modo Desempenho, o jogo prioriza 60 FPS e reduz a resolução para sustentar essa taxa. Já o modo Gráficos limita a experiência a 30 FPS em troca de maior resolução e qualidade visual, aproximando elementos como reflexos, texturas, tons de pele e efeitos das versões lançadas para os consoles mais poderosos.

Essa possibilidade de escolha representa, por si só, a principal novidade desta edição. Crisis Core possui um sistema de batalha em tempo real bem mais acelerado do que o Final Fantasy VII original e, por isso, jogar a 60 FPS transforma consideravelmente a resposta dos comandos.

Ataques, esquivas e habilidades passam uma sensação muito mais imediata no modo Desempenho. As animações também ganham fluidez e fazem o combate parecer mais próximo dos padrões atuais, algo particularmente perceptível depois de jogar Remake e Rebirth.

Entre as duas opções, o modo Desempenho acabou se mostrando a escolha mais interessante para a maior parte da aventura. O ganho proporcionado pelos 60 FPS pesa mais durante os combates do que a resolução adicional oferecida pelo modo Gráficos, enquanto a qualidade da imagem continua consideravelmente superior àquela encontrada no Switch original.

O modo Gráficos, entretanto, possui seu espaço. Ao jogar conectado a uma televisão, principalmente em uma tela grande, a maior definição dos cenários e personagens se torna perceptível. Reflexos, materiais, pele e diversos efeitos recebem uma apresentação mais refinada, ajudando a diminuir a distância visual entre Crisis Core e os demais títulos modernos da saga.

Existe apenas uma pequena inconveniência: não podemos alternar livremente entre os dois modos durante a partida. A troca exige retornar à tela de título, algo desnecessariamente burocrático para uma configuração que poderia estar disponível diretamente no menu.

A diferença para o Switch original aparece imediatamente

Colocar mentalmente as duas versões lado a lado deixa evidente quanto o Switch original limitava Reunion. O lançamento de 2022 continua funcional e foi uma maneira competente de transportar o RPG para um aparelho híbrido, mas seus 30 FPS e a resolução reduzida já denunciavam os compromissos necessários para colocar o projeto naquele hardware.

No Switch 2, a apresentação ganha maior clareza, especialmente nos modelos dos personagens, cabelos, roupas e elementos dos cenários. O resultado não transforma Crisis Core em um jogo desenvolvido originalmente para a atual geração, porém permite enxergar com muito mais facilidade o enorme trabalho realizado pela Square Enix na remasterização de 2022.

Essa distinção merece atenção porque Reunion ainda carrega estruturas herdadas diretamente do PSP. Os mapas costumam ser pequenos e divididos em corredores, diversas missões secundárias reutilizam ambientes e inimigos, enquanto certas animações denunciam a idade do projeto original. Nenhuma quantidade de resolução adicional consegue esconder completamente uma fundação criada para um portátil de 2004.

Curiosamente, essa simplicidade também combina muito bem com o Switch 2. As missões opcionais normalmente duram poucos minutos e funcionam perfeitamente em sessões rápidas no modo portátil. Jogar uma ou duas delas, melhorar equipamentos e colocar o console em repouso parece quase uma evolução natural da proposta concebida originalmente para PSP.

Crisis Core continua tendo um combate peculiar

Reunion modernizou significativamente o combate em comparação ao jogo de 2007. Zack pode atacar, esquivar, defender e utilizar matérias em tempo real, enquanto Limit Breaks e Summons ganharam uma execução mais direta. Ainda assim, o famoso DMW continua ocupando a parte superior da tela e funcionando como uma espécie de roleta permanente durante as batalhas.

O sistema pode parecer estranho inicialmente, principalmente para quem chega diretamente de Remake ou Rebirth. Combinações envolvendo personagens, números e imagens concedem bônus, Limit Breaks, invocações e outros efeitos, adicionando uma parcela deliberada de imprevisibilidade aos confrontos.

Com 60 FPS, porém, todo esse conjunto funciona melhor. Não porque as mecânicas tenham sido alteradas nesta versão, mas porque a maior fluidez favorece justamente o componente de ação introduzido por Reunion. A diferença para os 30 FPS do Switch anterior se torna especialmente perceptível durante batalhas com vários inimigos e sequências rápidas de ataques e esquivas.

Graficamente, Crisis Core mostra sua idade, mas isso não chega a ser um problema

Crisis Core

Mesmo no modo Gráficos, ninguém deve esperar encontrar o mesmo nível visual de Final Fantasy VII Remake ou Rebirth. Reunion utiliza modelos, iluminação e cenários profundamente modernizados, mas continua preso à estrutura e às animações de um RPG criado originalmente para PSP.

Algumas cenas deixam essa diferença bastante evidente. Personagens extremamente detalhados podem apresentar movimentos mais rígidos ou interagir dentro de ambientes relativamente simples. Em outros momentos, entretanto, principalmente durante sequências cinematográficas e confrontos importantes, Crisis Core continua surpreendentemente bonito considerando suas origens.

No Switch 2, essa dualidade fica ainda mais evidente justamente porque a imagem ganhou qualidade suficiente para expor tanto os méritos quanto as limitações da remasterização. Não temos mais a resolução reduzida do primeiro Switch mascarando detalhes, mas também enxergamos com maior facilidade elementos pertencentes a um projeto concebido quase 20 anos atrás.

Zack Fair ganhou uma importância ainda maior

Crisis Core

Quando analisamos Crisis Core Reunion em 2022, já destacávamos como o jogo ajudava a preencher lacunas deixadas por Final Fantasy VII Remake. Hoje, depois dos acontecimentos de Rebirth, recomendar essa história ficou ainda mais fácil, assim como explicar os motivos sem entrar em spoilers ficou consideravelmente mais difícil.

Zack não representa apenas uma nota de rodapé na história de Cloud. Sua relação com SOLDIER, Angeal, Sephiroth, Aerith e o próprio Cloud estabelece parte dos fundamentos emocionais utilizados pela nova trilogia, além de contextualizar acontecimentos apresentados deliberadamente de maneira confusa nos jogos principais.

Isso também muda a percepção sobre Sephiroth. Crisis Core apresenta uma versão do personagem anterior à figura praticamente mitológica encontrada em Final Fantasy VII, permitindo conhecer sua relação com outros membros da SOLDIER e acompanhar acontecimentos decisivos para sua transformação.

Da mesma maneira, entender Zack ajuda a compreender Cloud. Gestos, memórias, personalidade e até elementos visuais presentes no protagonista de Final Fantasy VII ganham outra camada depois da conclusão de Crisis Core.

O maior problema desta versão não está dentro do jogo

Crisis Core

Apesar de todas as melhorias, existe uma decisão difícil de defender. A Square Enix não oferece um pacote de atualização para proprietários da versão de Nintendo Switch. Crisis Core Reunion para Switch 2 funciona como um produto separado, obrigando antigos compradores a adquirir novamente o jogo para acessar suas melhorias.

Pior ainda, os dados salvos das duas versões são incompatíveis. Portanto, mesmo quem possui uma campanha avançada no Switch original não consegue simplesmente transferir seu progresso e continuar jogando na edição nativa do Switch 2.

A situação fica especialmente estranha porque o jogo de Switch lançado em 2022 já funciona no Switch 2 por retrocompatibilidade. Quem possui essa edição pode continuar utilizando normalmente sua cópia antiga, inclusive aproveitando benefícios gerais proporcionados pelo novo hardware, mas sem receber os modos Gráficos e Desempenho presentes no lançamento nativo.

Por isso, recomendar uma segunda compra depende muito do perfil do jogador. Para quem terminou Crisis Core no Switch e não pretende revisitar a campanha, pagar novamente apenas pelas melhorias técnicas parece pouco atraente. Para uma nova jornada, entretanto, 60 FPS e qualidade visual superior tornam esta edição claramente a melhor alternativa disponível dentro do ecossistema Nintendo.

Crisis Core finalmente completa Final Fantasy VII no Switch 2

Crisis Core

Existe também um contexto maior por trás desse lançamento. Com Final Fantasy VII Remake e Rebirth disponíveis no Switch 2, Crisis Core deixa de parecer um produto isolado e passa a funcionar como parte de uma coleção muito mais coerente dentro do console.

Essa proximidade beneficia principalmente novos jogadores. Depois de conhecer Cloud, Aerith, Tifa, Barret e Sephiroth, Crisis Core oferece uma oportunidade de voltar ao passado para entender como várias peças chegaram às posições encontradas nos acontecimentos principais.

Ao mesmo tempo, talvez não seja recomendável começar por Crisis Core simplesmente porque sua história ocorre primeiro cronologicamente. Diversas revelações funcionam melhor depois do contato com Final Fantasy VII, pois o roteiro foi concebido como um prelúdio para um público familiarizado com determinados acontecimentos e personagens.

Vale a pena jogar Crisis Core no Switch 2?

Crisis Core

Quase quatro anos depois da nossa análise original, nossa avaliação sobre Crisis Core –Final Fantasy VII– Reunion mudou muito pouco: quem pretende mergulhar de verdade no universo de Final Fantasy VII deveria jogar a aventura de Zack Fair.

A diferença agora está na plataforma. O Switch original entregou uma conversão competente em 2022, mas limitada a 720p e 30 FPS. A edição nativa para Switch 2 finalmente permite escolher entre priorizar fidelidade visual ou alcançar 60 FPS, deixando combate e movimentação muito mais fluidos sem sacrificar a principal vantagem da plataforma: continuar a aventura em qualquer lugar.

Não encontramos aqui uma nova campanha, missões extras ou alterações significativas na história. Portanto, quem já possui a versão anterior precisa considerar cuidadosamente se as melhorias justificam uma segunda compra, especialmente diante da ausência de upgrade e da incompatibilidade dos arquivos de save.

Para quem nunca jogou, a conclusão segue pelo caminho oposto. Crisis Core não apenas continua sendo uma excelente prequela, como se tornou ainda mais relevante depois dos acontecimentos recentes da saga. Zack, Cloud, Aerith e Sephiroth carregam relações e acontecimentos fundamentais para compreender algumas das ideias mais importantes trabalhadas pela nova trilogia.

Existem marcas claras de um RPG originalmente lançado para PSP em 2007, principalmente no desenho dos mapas e na estrutura repetitiva das missões secundárias. Nada disso, porém, apaga uma história capaz de acrescentar uma enorme carga emocional a Final Fantasy VII.

No Nintendo Switch 2, temos a melhor versão portátil dessa história até agora. E, para quem terminou Remake e Rebirth querendo compreender cada peça desse universo antes de seguir adiante, Crisis Core –Final Fantasy VII– Reunion deixou de ser apenas um complemento: tornou-se praticamente indispensável.

*O Cromossomo Nerd agradece a Square Enix por ter nos fornecido uma cópia do jogo para esta análise.