Final Fantasy VII Rebirth: É a prova do que o Nintendo Switch 2 é capaz! — ANÁLISE

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Final Fantasy VII Rebirth é a segunda parte da ambiciosa trilogia de remakes de um dos RPGs mais aclamados de todos os tempos. Após uma enorme espera, a Square Enix conseguiu trazer o espírito do clássico do PlayStation 1, superando seu antecessor (Remake) em todos os aspectos.

Antes de começarmos, fica aqui o nosso agradecimento especial à Square Enix por nos ter disponibilizado a chave do jogo de forma antecipada para esta análise.

A chegada de Rebirth ao Nintendo Switch 2 dia 03 junho carrega um certo peso para os jogadores nintendistas. Se na geração passada os fãs precisaram se contentar apenas com a versão alternativa Final Fantasy XV: Pocket Edition, a realidade agora é completamente diferente.

A Square Enix mudou de postura e está trazendo a experiência de peso completa da saga de Cloud para o novo hardware. Mesmo sabendo que cortes gráficos seriam inevitáveis para rodar em um portátil, ver os dois primeiros títulos da nova trilogia rodando na íntegra na plataforma é algo que muitos fãs queriam da nova era da Nintendo.

Uma jornada nostálgica e imprevisível

A história começa pouco tempo após os eventos de Final Fantasy VII Remake (e da expansão Intergrade). Cloud e seu grupo deixam a cidade tecnológica de Midgar para caçar Sephiroth, o lendário ex-herói que agora representa uma ameaça apocalíptica ao planeta. Atrás deles, a implacável megacorporação Shinra continua em uma perseguição ferrenha.

Final Fantasy VII Rebirth - Nintendo Switch 2
Final Fantasy VII Rebirth – Nintendo Switch 2

O grande trunfo da narrativa de Rebirth é como ele equilibra nostalgia com o fator surpresa. Ele evoca elementos bem legais de alguns FF mais clássicos, trazendo de volta aquela sensação deliciosa de RPG de aventura que adoramos na franquia.

No entanto, o foco do jogo introduz o conceito de desafiar o próprio destino do tempo. Você reviverá momentos dramáticos e icônicos, mas agora com a constante pulsação da incerteza: a história altera pontos cruciais do original, deixando até mesmo os fãs mais veteranos sem saber quem irá sobreviver até o desfecho da trilogia.

Combate refinado e um mundo massivo a ser explorado

O sistema de combate eleva o que já era muito bom no primeiro jogo. Trata-se de um Action RPG, mas que permite desacelerar o tempo para abrir menus de comandos, agradando tanto os fãs de ação quanto os puristas dos turnos.

A grande novidade são às novas habilidades, que são ataques em dupla e tornam a dinâmica do grupo muito mais unida. A evolução agora passa por uma árvore de talentos e pelo gerenciamento estratégico da sua party, já que certos inimigos voadores ou com imunidades elementais exigem personagens específicos, como os ataques de longo alcance de Barret ou Aerith.

Final Fantasy VII Rebirth - Nintendo Switch 2
Final Fantasy VII Rebirth – Nintendo Switch 2

O mundo fora de Midgar é vasto e dividido em grandes regiões semiabertas interconectadas por masmorras.  Embora o ritmo do jogo sofra um pouco com o excesso de minigames e algumas missões de movimentação arrastada onde uma cutscene resolveria melhor, o carisma dos personagens compensa tudo.

O amadurecimento da amizade entre Tifa e Aerith, o drama paterno de Barret e as doideras de Red XIII e Yuffie transformam o grupo em uma verdadeira família funcional.

O Grande Desafio: Portar o mundo de Gaia para o Nintendo Switch 2

Diferente de Final Fantasy VII Remake, que nasceu no PS4, Rebirth foi moldado do zero para o hardware da atual geração de consoles de mesa. Estamos falando de um jogo com regiões de mapa abertas e massivas, combates repletos de efeitos de partículas e um uso agressivo de armazenamento para carregamentos rápidos. Por isso, a expectativa para a versão de Switch 2 deixava muitas pessoas curiosas.

Final Fantasy VII Rebirth - Nintendo Switch 2 - Comparação
Comparação entre modo Portátil (esquerda) e modo Dock (direita)

No Switch 2, a Square Enix adotou uma estratégia de resolução dinâmica de imagem através do DLSS da Nvidia. O maior sinal de desgaste da qualidade de imagem fica por conta dos cabelos dos personagens e das penas dos Chocobos.

Em closes nos personagens e cutscenes, esses elementos sofrem com um forte efeito de “granulado”.  Surpreendentemente, os elementos principais do jogo foram mantidos. Os efeitos de oclusão de ambiente e os reflexos continuam presentes, garantindo o visual molhado de poças e superfícies polidas. Cascatas, moinhos e naves distantes continuam animados no horizonte. 

Por outro lado, os cortes para encaixar o jogo no pequeno portátil são evidentes ao olhar de perto:

  • Texturas e Sombras: O terreno e os elementos de cenário em closes apresentam texturas consideravelmente pixeladas e borradas. As sombras em interiores são brutas e apresentam um efeito serrilhado à distância.
  • Cenários Simplificados: Cidades como Kalm perderam pequenos detalhes decorativos. Prateleiras em estalagens e lojas têm menos objetos e decorações, parecendo mais estéreis.
  • Mundo Aberto: Nos gramados das regiões semiabertas, a densidade da vegetação foi reduzida e o famoso “pop-in” acontece muito mais perto da câmera. Até mesmo modelos geométricos pequenos, como frutas e vegetais em barracas de mercado, tornaram-se visivelmente pixelizados.

Performance e Fluidez

O jogo mira na meta de 30 FPS, e a boa notícia é que a experiência é perfeitamente jogável e foi bem sólida na maior parte do tempo da jogatina. É óbvio que existem sim certas quedas de FPS, porém não houve nenhuma queda brusca ao ponto de frustrar a minha experiência com o jogo.

O jogo se beneficia do novo hardware da Nintendo, garantindo tempos de carregamento rápidos e transições suaves graças ao novo SSD. Não se trata de um desempenho impecável, existem sim pequenos travamentos de apenas um frame ao correr por áreas muito densas ou ao migrar rapidamente de uma zona para outra mas ainda assim, não são quedas que vão impactar muito a sua experiência, para um port desse calibre, a estabilidade impressiona.

Quem compra um jogo desse tamanho para um console portátil, já está ciente de todos os problemas que podem ser encontrados, porém o minimo tem que ser feito, e é onde a Square acertou em cheio.

O público do Switch 2 não busca gráficos fotorealistas mas sim outra coisa: a liberdade. O verdadeiro valor deste port não está na contagem de pixels na tela, mas sim no fato de que entrega um ótimo jogo sem sacrificar a alma da jogabilidade ou a escala do mundo aberto. 

Conclusão

Final Fantasy VII Rebirth no Nintendo Switch 2 é mais uma prova de que a comunidade nintendista finalmente tem em mãos um console pronto para receber o padrão AAA da indústria, sem a necessidade de “versões de bolso”.  Apesar dos cortes visuais evidentes em relaçãoa versão original, o valor de poder jogar um RPG dessa magnitude, com essa escala de exploração e profundidade de combate em modo portátil, é impagável.

É um título obrigatório para os amantes do gênero e um cartão de visitas para o potencial do novo ecossistema da Nintendo.