Poucos videogames marcaram a sala de estar como o Nintendo Wii. Ganhei o meu pouco tempo depois do lançamento e, tirando gigantes como Xenoblade Chronicles e os Zelda daquela geração, nenhum jogo rodou tanto no meu Wii quanto Wii Sports, que já vinha junto com o console.

O motivo era simples: ele juntava a família inteira. Eu jogava com a minha avó, com o meu avô e com os meus tios, e cada partida virava um evento. Era um jogo fácil de entender, divertido em qualquer idade e capaz de transformar qualquer visita em campeonato.

Nintendo Switch Sports Resort me devolveu exatamente essa sensação. Exclusivo do Nintendo Switch 2, o novo jogo da Nintendo chegou em 22 de outubro de 2026, justamente no ano em que Wii Sports completa 20 anos, e faz questão de voltar à Ilha Wuhu, cenário que marcou Wii Sports Resort.

São 12 esportes controlados por movimento, entre clássicos repaginados e duas novidades inéditas na série, além de uma ilha que finalmente deixou de ser só pano de fundo. É um jogo simples, que para algumas pessoas pode até soar monótono, mas que brilha justamente no coop local.

Vinte anos de Wii Sports

Esporte sempre esteve no DNA da Nintendo. Muito antes do Wii, o NES já tinha Tennis, Golf e Punch-Out!!, e os spin-offs do Mario levaram golfe, tênis e futebol para várias gerações de consoles. Uma curiosidade: o Golf do NES, de 1984, foi programado por Satoru Iwata, que anos depois comandaria a Nintendo durante a era Wii.

Foi sob a presidência de Iwata que a empresa apostou em trazer para o videogame quem nunca tinha segurado um controle. Wii Sports chegou com o Wii no fim de 2006, com cinco esportes (tênis, beisebol, boliche, golfe e boxe) em que bastava balançar o controle. Virou fenômeno: avós dominando o boliche, festas de família, alguns Wii Remotes voando em direção à TV e mais de 82 milhões de cópias vendidas, um dos jogos mais vendidos da história.

Em 2009, Wii Sports Resort levou a fórmula para a Ilha Wuhu com 12 modalidades, entre elas tiro com arco, tênis de mesa, basquete, wakeboard, jet ski e voos de avião, e chegou acompanhado do Wii MotionPlus, acessório que deixava os movimentos muito mais precisos. Foram mais de 33 milhões de cópias, e a ilha virou um ícone, aparecendo depois em Wii Fit Plus, em Pilotwings Resort, nas pistas de Mario Kart 7 e como cenário de Super Smash Bros.

Depois veio Wii Sports Club, que levou os clássicos para o Wii U em HD e com partidas online, mas passou longe do impacto do original. Em 2022, Nintendo Switch Sports trouxe a série para o Switch com a Spocco Square, seis esportes no lançamento e mais dois (golfe e basquete) em atualizações gratuitas. 

É aí que entra Nintendo Switch Sports Resort. Anunciado no Nintendo Direct de junho de 2026, ele não é uma atualização do jogo anterior, e sim um título novo, vendido separadamente e feito sob medida para o Switch 2 e os Joy-Con 2.

Jogos clássicos de volta, agora com Joy-Con 2

Dos 12 esportes, dez são velhos conhecidos da série: tênis, boliche, golfe, boxe, tiro com arco, tênis de mesa, basquete, voleibol, motonáutica e avião a hélice. Para quem vem de Nintendo Switch Sports, porém, a lista muda bastante. Futebol, badminton e chambara ficaram de fora (e o beisebol do Wii segue sem voltar), enquanto boxe, tiro com arco, tênis de mesa, motonáutica e avião a hélice estreiam na era Switch. As modalidades inéditas em toda a série são o skate e a luta de polegares.

O que muda de verdade nos clássicos é o controle. Os sensores do Joy-Con 2 leem os movimentos com muito mais fidelidade, e aquele “balança de qualquer jeito” que resolvia no Wii já não funciona tão bem. As jogadas ficam mais precisas, e os erros, mais punidos.

O tênis é o melhor exemplo. Cada golpe pede intenção, e a diferença é tanta que o jogo inclui uma opção mais lenta, no ritmo do velho Wii Sports, para quem só quer se divertir, além de três quadras extras com velocidades e quiques diferentes. Boliche e golfe também puxam para um movimento mais realista, e o golfe pede um tempo de adaptação para quem vem dos jogos antigos. No boliche, dá até para encarar pistas com obstáculos e o clássico desafio dos 100 pinos.

O boxe, ausente desde os tempos de Wii U, é o esporte mais físico do jogo, com socos e defesa que pedem movimento de verdade. Ainda assim, foi a que menos é precisa: a leitura dos golpes nem sempre acompanha o que você faz, e quem já jogou um jogo de fitness dedicado ao boxe vai sentir a diferença.

Os grandes destaques vêm direto de Wii Sports Resort. O tiro com arco é daqueles que pedem só mais uma rodada: puxar a corda e soltar a flecha é satisfatório, os alvos ficam cada vez mais difíceis e o modo competitivo de eliminação com os amigos vicia. O tênis de mesa aproveita os sensores como nenhum outro, e o Joy-Con 2 parece uma raquetinha de verdade na mão.

Voleibol e basquete são os mais complexos. No vôlei, você alterna movimentos diferentes para manchete, levantamento, cortada e bloqueio, e quando o tempo de cada jogada encaixa, é muito bom ver os pontos saindo em sequência. Alguns esportes ainda ganham desafios extras, como latinhas para acertar no tênis de mesa, um modo de ritmo no vôlei e um treino de arremessos no basquete, e há até um pular corda para aquecer antes das partidas. Faz falta uma variedade maior de minigames de treino, como os que o Wii Sports original tinha.

Nintendo Switch Sports Resort - No tiro com arco, uma mão mira e a outra solta o ZR para disparar

Skate e luta de polegares

As duas novidades inéditas na série são as que mais fogem do óbvio. A luta de polegares que pega a brincadeira de criança em um duelo exagerado, quase de anime: o objetivo é prender o polegar do adversário por três segundos, com direito a uma mecânica para fortalecer o seu dedão no meio da disputa. É absurda, rápida e muito divertida, do tipo que arranca risada de todo mundo na sala.

O skate é a novidade mais curiosa. Ele usa o modo mouse do Joy-Con 2: você coloca o controle virado para baixo e faz as manobras mexendo o Joy-Con sobre a superfície, como se fosse um skate de dedo. Pede um pouco de adaptação, mas quando você pega o jeito, fica legal.

E é com o skate que aparece a maior mudança do jogo: a Ilha Wuhu deixou de ser só cenário. Junto com a motonáutica, o bom e velho jet ski, e o avião a hélice, ele serve para explorar a ilha por terra, mar e ar, com desafios turísticos, missões, novos pontos de partida para desbloquear e colecionáveis. Dá para passear no modo livre, sem cronômetro, ou encarar passeios com tempo limitado, e tudo isso também funciona com dois jogadores em cooperação.

Quem cresceu com Pilotwings e Wave Race 64 vai se sentir em casa. Para mim, essa virou a parte mais relaxante do jogo. Depois do trabalho, me peguei várias vezes só voando de avião pela ilha, procurando um ponto novo no mapa, saindo para fazer outra coisa e voltando depois. É um jogo que funciona tanto em uma festa quanto em quinze minutos de descanso.

Nintendo Switch Sports Resort

Feito para jogar junto

Se existe um lugar onde Nintendo Switch Sports Resort brilha, é no multiplayer. Até quatro pessoas podem jogar no mesmo console, dependendo da modalidade, com tela dividida em alguns esportes. 

O jogo também conversa muito bem com quem não tem costume de jogar. Os controles são intuitivos, as regras são óbvias e ninguém precisa de um tutorial longo para entrar na brincadeira. É para jogar com a mãe, com o filho, com a criançada da família, e esse sempre foi o grande segredo da série.

No online, a estrutura é bem completa. O modo online permite escolher quais esportes entram na rotação e as salas online reúnem até oito jogadores (dois por console) em partidas privadas, nas quais cada grupo pode se dividir entre esportes diferentes, quase como um ponto de encontro. Também joguei online e a diversão se mantém, mas nada substitui jogar lado a lado. Vale lembrar que o online exige assinatura do Nintendo Switch Online.

Para quem joga sozinho, a grande novidade é o modo Coroa da Ilha. Você começa em 20º lugar no ranking da ilha e vai subindo, enfrentando adversários especiais em nove esportes até disputar o título de campeão, e entre eles está um velho conhecido de quem jogou no Wii: o temido Matt. Cada esporte tem suas próprias conquistas, e tudo rende pontos Spocco, a moeda do jogo, usada para liberar roupas, acessórios e itens de personalização para o seu Mii ou Sportsmate, com coleções semanais e novidades temáticas mensais no centro de itens.

Ainda assim, é bom ser honesto: quem pegar o jogo só para jogar sozinho consegue passar por todas as modalidades e subir as dificuldades bem rápido. Depois disso, o que sobra é caçar colecionáveis e melhorar as próprias marcas, a repetição bate na porta e é a companhia que mantém o jogo vivo.

De volta à sala de estar

Nintendo Switch Sports Resort sabe exatamente o que é. Ele não foi feito para o jogador hardcore que está contando os dias para GTA VI ou para o próximo Zelda, nem para quem procura um simulador de esportes. É um party game simples e direto, pensado para juntar gente na frente da TV, e nisso ele é excelente.

Vinte anos depois, a Nintendo conseguiu de novo. Se você tem um Switch 2 e alguém para jogar junto, seja a mãe, o filho ou a turma do churrasco, é uma compra fácil de recomendar.

Nintendo Switch Sports Resort foi lançado em 22 de outubro de 2026, exclusivamente para Nintendo Switch 2. No Brasil, a versão digital custa R$ 279,90 na Nintendo Store, e a mídia física também está à venda no varejo com suporte ao português do Brasil.

*O Cromossomo Nerd agradece à Nintendo por ter nos cedido uma cópia de Nintendo Switch Sports Resort para esta análise.