Call of Duty: Modern Warfare 4 chega aos consoles e PC com a missão de fechar a tetralogia iniciada em 2019 e resgatar a franquia da Activision. Sob o comando da Infinity Ward, o jogo deixa a geração passada para trás e foca no hardware atual, prometendo um salto técnico após capítulos recentes que decepcionaram os fãs.

A estrutura de Call of Duty: Modern Warfare 4 se divide entre uma campanha cinematográfica, a consolidação do DMZ como um modo de extração robusto e o multiplayer clássico. Deixando as acrobacias de lado, a Infinity Ward prioriza um confronto pé no chão que busca resgatar a essência da franquia com mecânicas modernas.

 

Com a Task Force 141 fragmentada, um conflito global em curso e novos modos no DMZ e multiplayer, a franquia atinge seu ponto mais crítico. Entre missões de resgate, extrações arriscadas e combates urbanos intensos, o destino do esquadrão fica no limite. Será que o pacote completo entrega a experiência definitiva que os fãs esperavam?

Aliança Inesperada e Caos na Coreia

A campanha de Call of Duty: Modern Warfare 4 resgata a estrutura linear e o ritmo cinematográfico que consagraram a franquia, entregando o melhor enredo da série desde o reboot de 2019. Ao longo de 16 missões estruturadas em uma linha do tempo não cronológica, a história se divide em núcleos paralelos.

De um lado, acompanhamos o recruta Park Hyun-jun e o pelotão Sierra-1, conscritos sul-coreanos jogados no caos de uma invasão surpresa promovida pelo Norte logo após um momento de descontração ao som de hip-hop. Do outro, seguimos o Capitão John Price, operando como foragido e movido por vingança após a morte de Soap MacTavish.

Reprodução: Activision/Cromossomo Nerd

Essa alternância de perspectivas funciona muito bem para o ritmo do jogo. O arco de Park traz peso humano ao mostrar a guerra pelos olhos de um soldado inexperiente em Seul, enquanto a jornada de Price resgata o suspense geopolítico.

Ao se aliar à líder de cartel Valeria Garza para caçar o vilão "Arqueiro" (Mads Mikkelsen), Price protagoniza diálogos afiados e confrontos caóticos em Paris, entrando em rota de colisão direta com seus antigos companheiros Gaz e Ghost. A missão em que Gaz precisa caçar seu ex-mentor em um hotel escuro entrega um dos momentos de maior tensão tática e carga emocional de toda a série.

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A variedade de missões mantém o engajamento constante, combinando tiroteios urbanos, invasões táticas com visão noturna, confrontos corpo a corpo em primeira pessoa e até uma etapa sob a ótica de um oficial norte-coreano.

A única exceção à linearidade é a missão específica que traz uma área semiaberta nas montanhas nevadas da Coreia. Diferente dos experimentos frustrantes do jogo anterior, esta etapa funciona bem por ser dosada e oferecer coleta de suprimentos e quebra-cabeças opcionais, ainda que a ausência de um modo cooperativo e o uso de viagem rápida reduzam parte do seu apelo.

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Apesar do forte apelo narrativo, a campanha comete deslizes pontuais. Os embates finais contra os chefes são decepcionantes por serem excessivamente curtos e simples para o encerramento de uma saga tão relevante.

Além disso, atores de peso como Mads Mikkelsen acabam subaproveitados no roteiro, certas missões punem severamente quem se desvia do trajeto estabelecido e as escolhas de diálogo integradas às missões permanecem puramente decorativas, sem qualquer impacto real no desfecho da trama.

Caçar, Sobreviver e Extrair

O modo DMZ deixa de ser um experimento no Warzone para se consolidar como um dos pilares de Call of Duty: Modern Warfare 4. Integrado ao pacote completo do jogo, o formato de extração PvPvE ganha um salto em estrutura, oferecendo progressão dedicada de 70 níveis, um mapa inédito e sistemas de gerenciamento que aprofundam a jogabilidade.

A ação se passa em Hajin, uma vasta zona de exclusão na fronteira das Coreias e o maior mapa já criado para a franquia. Com mais de 60 pontos de interesse, o cenário alterna florestas, compostos militares e usinas nucleares. O dinamismo do mapa é ampliado por tempestades e névoas locais que afetam a visibilidade e o som dos passos em tempo real.

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A principal novidade é a Base de Operações Avançada, um hub entre as partidas onde o jogador pode testar armas no estande de tiro e interagir com o grupo. Ela elimina a navegação por menus estáticos e traz estações evolutivas, como uma impressora 3D para criar mochilas e coletes a partir de materiais coletados.

A evolução dos operadores ganhou profundidade com três árvores de habilidades, tornando os personagens mais fortes a cada extração bem-sucedida. Além disso, o Armeiro agora exige encontrar manuais no mapa e gastar moedas para liberar slots de acessórios nas armas customizadas.

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Para balancear os confrontos entre jogadores focados em PvP e os voltados ao PvE, o jogo introduziu um sistema de notoriedade. Operadores que caçam outros jogadores ganham uma recompensa pela cabeça e ficam visíveis nos quadros de caça espalhados por Hajin, permitindo que jogadores mais passivos evitem embates.

Apesar do ciclo viciante, o modo apresenta falhas. Existem apenas seis missões de história, o tutorial ensina apenas o básico de um sistema complexo e a travessia pelo mapa cansa pela ausência de wingsuit. Além disso, a perda do operador evoluído aplica uma punição severa, atenuada apenas por resgates pagos com moeda do jogo.

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Por fim, a transição de um modo gratuito para um jogo de preço cheio torna questionáveis as vantagens de inventário dadas aos compradores da edição Vault. Ainda que mochilas e coletes extras não garantam vitórias automáticas, a oferta de bônus em um produto pago gera um precedente desconfortável.

Botas no Chão e Tiroteios Insanos

O multiplayer de Call of Duty: Modern Warfare 4 marca um retorno às raízes da franquia ao abandonar o sistema de omnimovement dos títulos recentes da linha Black Ops. Em vez de corridas por paredes e mergulhos acrobáticos em 360 graus, a Infinity Ward entrega um combate pé no chão, veloz e focado na precisão do tiro, oferecendo um meio-termo equilibrado entre a nostalgia clássica e a fluidez das partidas atuais.

As melhorias na movimentação priorizam a fluidez sem exageros. O jogo introduz um novo deslizamento, transições suaves entre escaladas e deslizes, além da possibilidade de subir por encanamentos para acessar locais elevados. Para quem deseja dominar esses sistemas antes das partidas, o novo modo Campo de Provas oferece percursos de treino com avaliações até a nota S.

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O grande destaque da seleção de 20 mapas de lançamento é o Kill Block, uma instalação modular projetada para o modo Tiroteio. Dividido em três blocos que se reconfiguram aleatoriamente a cada rodada, o mapa combina geometrias marcantes de locais como Shoot House, Highrise e Storage Town. A volatilidade renova o dinamismo das partidas, embora ele ainda esteja restrito ao Tiroteio e fora das rotações tradicionais.

Para além dos cenários de médio porte em Nova York e Seul, o modo traz batalhas de grande escala no Guerra Terrestre: Posto de Combate. Em combates de até 32v32 em trechos do mapa Hajin, os jogadores disputam postos estratégicos utilizando tanques e veículos leves, oferecendo uma alternativa robusta para quem busca confrontos com suporte veicular.

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No Armeiro, a criação de classes ganhou o auxílio do assistente Gunny, que sugere configurações rápidas de armas. Outra adição relevante são os acessórios Apex, modificações únicas por plataforma que transformam o comportamento da arma sem gastar um slot tradicional, como converter um fuzil em um sniper ou equipar um disparo secundário para facas de arremesso.

A progressão de armamento também ficou consideravelmente mais amigável ao reduzir o grind habitual. Com a introdução de acessórios universais, desbloquear um recurso para determinada arma libera a mesma modificação para várias outras da mesma categoria. Isso encurta o tempo necessário para nivelar o arsenal e facilita a criação de variantes táticas.

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Além dos modos consagrados, a rotação ganha fôlego com Inflação e Colateral. O primeiro é uma variação dinâmica de Baixa Confirmada focada no acúmulo e roubo de dinheiro caído, enquanto o segundo introduz rodadas com vida única e economia de compras no estilo Counter-Strike, desativando regeneração automática e killstreaks para focar no planejamento de equipe.

Apesar do excelente gunplay, o modo comete deslizes no sistema de pontuação. A decisão de priorizar Séries de Baixas em vez de Séries de Pontuações concede poucos pontos por ações de objetivo, removendo o incentivo ao jogo em equipe. Para completar, a ausência de playlists casuais no lançamento e o matchmaking por habilidade (SBMM) muito rígido resultam em filas mais longas e partidas constantemente exaustivas.

Guerra Moderna e Realista

A decisão da Infinity Ward de cortar o suporte aos consoles da geração passada deu ao motor gráfico de Call of Duty: Modern Warfare 4 a liberdade necessária para dar um salto visual expressivo. A reconstrução de Seul exibe reflexos realistas e destruição ambiental em grande escala. No PS5, o jogo oferece modos direcionados a Ray Tracing ou 120 Hz, enquanto o suporte ao VRR ajuda a manter a fluidez visual na maior parte dos confrontos.

Para o público brasileiro, a localização merece destaque: o jogo chega inteiramente traduzido em português, apresentando uma dublagem em PT-BR de altíssima qualidade que preserva o peso dramático e a urgência de cada diálogo. A direção de arte também brilha na representação da Coreia do Sul, enquanto a trilha sonora integra faixas do Wu-Tang Clan a colaborações oficiais com os rappers sul-coreanos Lee Young Ji e E SENS.

Reprodução: Activision/Cromossomo Nerd

O uso das tecnologias do PS5 e do controle DualSense eleva consideravelmente a imersão. Os gatilhos adaptáveis oferecem níveis de resistência distintos para cada classe de arma, simulando o peso do gatilho e o coice dos disparos na palma das mãos. Já o feedback háptico permite sentir o impacto de explosões, manobras de movimentação e a troca de carregadores com precisão tátil surpreendente.

O design sonoro permanece no topo do gênero, aproveitando o recurso de Áudio 3D no PS5 para entregar uma espacialização impecável. É possível identificar a direção exata de disparos, passos de inimigos no andar superior ou cápsulas caindo ao chão. Além disso, a física dos disparos foi ajustada para fazer as balas saírem do cano real da arma, e o sistema de clima dinâmico permite que rajadas de tiro abram buracos reais de visão em cortinas de fumaça.

Reprodução: Activision/Cromossomo Nerd

Apesar da boa execução técnica e dos carregamentos velozes no SSD do console, observam-se pequenos deslizes pontuais. Ocorrem episódios de pop-in na vegetação em áreas abertas de Hajin, além de raras oscilações na taxa de quadros durante sequências com excesso de partículas e explosões simultâneas na campanha.

Devo comprar Call of Duty: Modern Warfare 4?

Call of Duty: Modern Warfare 4 entrega o pacote mais robusto da franquia em anos, unindo um alto nível de produção a uma excelente variedade de conteúdo. A campanha encerra o arco da Task Force 141 com um espetáculo cinematográfico marcante, enquanto o multiplayer resgata o combate pé no chão com boas inovações. Para coroar, o DMZ se consolida como uma experiência de extração profunda e viciante, tornando o título indispensável para os fãs de tiro em primeira pessoa.

Alguns tropeços incomodam, como o desfecho apressado na campanha e o matchmaking rígido que torna o multiplayer cansativo. Além disso, as punições no DMZ cobram um preço alto de quem joga sozinho. Ainda assim, o saldo é amplamente positivo: a Infinity Ward entrega um encerramento justo, divertido e completo que resgata a credibilidade da franquia.

Reprodução: Activision/Cromossomo Nerd

Call of Duty: Modern Warfare 4 já está disponível para PlayStation 5, XBOX Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC.

*O Cromossomo Nerd agradece a TheoGames por fornecer uma chave de PS5 para esta análise.