RuneScape: Dragonwilds | A sobrevivência mágica da Jagex chega ao PS5 — ANÁLISE

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Lançado em 2001 pela Jagex, RuneScape rodava direto no navegador e virou porta de entrada para uma geração de jogadores, passando das 300 milhões de contas criadas. Mesmo com todo esse peso, a série nunca tinha saído do PC.

Isso muda com RuneScape: Dragonwilds, um survival crafting em mundo aberto para jogar sozinho ou com até quatro amigos no continente de Ashenfall, onde dragões despertaram sob o comando de Kuldra, a dragoa de cinco cabeças.

O jogo foi revelado e lançado no mesmo dia, 15 de abril de 2025, no acesso antecipado da Steam e deu muito certo. Foram mais de 52 mil jogadores simultâneos em poucos dias e mais de 1 milhão de cópias vendidas ao longo de cerca de 18 meses de desenvolvimento guiado pela comunidade.

Nesse período chegaram Fellhollow, em dezembro de 2025, Dowdun Reach, em março de 2026, que elevou as skills ao lendário nível 99, e Umbral Sands, no meio do ano.

A versão 1.0 saiu em 15 de setembro de 2026, de forma simultânea no PC, PS5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2, com a região Scorned Wilderness encerrando a Saga de Kuldra. Foi essa versão que jogamos no PS5.

Sobrevivência na base da magia e skills até o 99

A primeira vista, Dragonwilds segue a cartilha do gênero: coletar recursos, controlar fome, sede e cansaço, construir abrigo e fabricar equipamentos. Mas a diferença aparece logo. Aqui a sobrevivência é feita com feitiçaria.

Você logo ganha feitiços que invocam machados espectrais capazes de derrubar grupos inteiros de árvores, aceleram a mineração, mexem com o clima e transmutam materiais. As tarefas braçais que desgastam outros survivals vão sendo automatizadas, e o personagem fica ao mesmo tempo mais forte e mais eficiente.

Isso conversa direto com o coração de RuneScape: o sistema de skills. Quase tudo rende experiência na habilidade correspondente, de Mineração e Construção a Culinária, Pesca, Agricultura, Magia e combate. São 12 skills, todas indo até o 99, com liberdade total. Quer ser o melhor pescador de Ashenfall? Vá pescar. Não existe build errada.

Cada nível desbloqueia receitas, bônus passivos e equipamentos, seguindo a escala que os fãs sabem de cor: aço, mithril, adamante, runa e, por fim, dragão. Espadas, adagas, arcos, cajados, chicotes e as novas varinhas permitem montar guerreiros, magos, arqueiros ou híbridos.

Um mundo com rumo e menos burocracia

Comparado a Valheim, Dragonwilds dá muito mais direção, com NPCs, missões de verdade e uma história principal em torno de Kuldra, sem tirar a liberdade de explorar no seu ritmo. Cada região é mais perigosa que a anterior e traz novos recursos, chefes e níveis de equipamento.

Umbral Sands é o destaque, com mecânica de calor, a Rainha Kalphite e as Fight Caves, nomes que vão despertar boas (ou más) memórias nos veteranos. A arte colorida e estilizada dá personalidade aos biomas, embora algumas masmorras fiquem abaixo das áreas abertas.

A construção permite erguer bases enormes, com plantações, estações de trabalho e muito armazenamento. E a 1.0 resolveu uma das maiores dores do acesso antecipado: a fabricação agora puxa materiais direto dos baús conectados, e um livro-razão distribui os recursos automaticamente. A locomoção também evolui, com teletransportes, montarias e até um tapete voador.

Combate melhor, mas ainda coadjuvante

A 1.0 trouxe cancelamento de ataques em bloqueios e esquivas, aparo que recupera stamina e abre o inimigo, e uma barra própria para ataques especiais. O comabate nessa versão é bem divertido e alguns chefes são ótimos, mas os encontros comuns caem na repetição.

A graça está no que acontece ao redor da luta: preparar equipamento, subir skills e abrir caminho para a próxima região. Morrer tem custo: você perde o que carrega e precisa voltar ao próprio túmulo para recuperar os itens.

O jogo roda estável a 60 quadros por segundo e tem legendas em português do Brasil. Os comandos são bem responsivos e, o mais surpreendente, a construção funciona muito bem no DualSense, algo que costuma ser o ponto fraco de survivals vindos do PC.

O inventário ainda exige navegar por menus demais, e algumas animações e pequenos bugs visuais destoam, sem comprometer a jogatina.

O multiplayer tem crossplay entre PC e consoles, e jogar sozinho funciona perfeitamente. O preço é relativamente baixo R$114,99 na Edição Padrão e R$151,99 na Deluxe, com cosméticos inspirados em Old School RuneScape.

Assinantes do PS Plus Extra e Premium encontram o jogo no catálogo desde o lançamento, e as edições físicas chegam em 5 de novembro de 2026.

Veredito

Quem zerou quase tudo no acesso antecipado vai achar a novidade da 1.0 não lá essas coisas, a Scorned Wilderness é um desafio final mais linear, e o endgame gira em torno de repetir conteúdo atrás do equipamento de dragão.

Para quem chega agora, porém, o jogo é outro, com várias regiões, 12 skills que upam até o 99, missões, chefes e dezenas de horas de progressão.

Apesar do gênero survival ja estar bem saturado RuneScape: Dragonwilds acerta porque entende o que trazer de RuneScape e o que mudar. O combate segue como elo mais fraco, mas as skills, a magia e a construção fazem da estreia da franquia no PS5 um jogo fácil de recomendar.