Elden Ring: Tarnished Edition é a versão definitiva do épico de Miyazaki

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Quatro anos após transformar as Terras Intermédias em um dos mundos abertos mais celebrados dos videogames, a FromSoftware retorna com Elden Ring: Tarnished Edition, edição definitiva do RPG dirigido por Hidetaka Miyazaki. O pacote reúne a aventura original, a expansão Shadow of the Erdtree e conteúdos inéditos pensados tanto para novos jogadores quanto para veteranos dispostos a iniciar outra peregrinação como Maculado.

Lançada originalmente como uma edição completa para Nintendo Switch 2, a novidade também chegou ao PlayStation, Xbox e PC por meio do Tarnished Pack. Para esta análise complementar, testamos o novo conteúdo no PlayStation 5, concentrando nossas impressões nas duas classes adicionais, equipamentos, personalização de Torrente e nas mudanças promovidas pela atualização 1.17.

Como já detalhamos em nossa análise original de Elden Ring, o RPG da FromSoftware permanece uma referência na construção de mundos abertos. Em vez de mapas congestionados por marcadores, as Terras Intermédias estimulam a curiosidade e recompensam quem abandona o caminho aparentemente mais seguro para investigar ruínas, cavernas, castelos ou qualquer construção suspeita no horizonte.

A chegada de Shadow of the Erdtree ampliou essa proposta com o Reino das Sombras, uma região gigantesca, vertical e ainda mais perigosa. Conforme destacamos em nossa análise da expansão, a aventura dedicada aos passos de Miquella acrescenta dezenas de horas de conteúdo, novos equipamentos, inimigos e alguns dos confrontos mais exigentes criados pelo estúdio.

Por isso, não faz sentido tratar Tarnished Edition como uma terceira análise completa de Elden Ring. O jogo e sua expansão continuam excelentes pelas mesmas razões discutidas anteriormente. O ponto central desta vez está no Tarnished Pack e, principalmente, em descobrir se suas novidades justificam outra jornada pelas Terras Intermédias.

Dois novos motivos para começar novamente

Elden Ring: Tarnished Edition

A principal novidade está logo na criação do personagem. O Tarnished Pack adiciona Cavaleiro Pesado e Cavaleiro de Idus às classes iniciais, ampliando as possibilidades disponíveis antes mesmo de o jogador abrir as portas para Limgrave. A escolha não cria campanhas ou missões exclusivas, mas altera consideravelmente o ritmo das primeiras horas dependendo do estilo adotado.

Esse detalhe importa porque classes em Elden Ring funcionam principalmente como pontos de partida. Conforme o personagem acumula níveis, armas e atributos, qualquer Maculado pode seguir praticamente qualquer direção. Ainda assim, equipamentos e distribuição inicial de atributos determinam como enfrentamos os primeiros desafios, tornando as duas opções interessantes sobretudo para quem deseja começar outro save.

O Cavaleiro Pesado entrega uma abordagem imediatamente familiar para jogadores interessados em combate corpo a corpo, resistência e proteção. Sua proposta favorece confrontos mais frontais e transmite uma sensação de segurança maior nas primeiras horas, especialmente diante de inimigos comuns capazes de punir personagens com equipamentos leves.

Isso não transforma Elden Ring em uma experiência fácil. Esquivas, gerenciamento de stamina, posicionamento e leitura dos ataques continuam fundamentais. Entretanto, iniciar a aventura com uma configuração voltada ao combate pesado modifica a forma como encaramos Limgrave e seus primeiros obstáculos, principalmente quando comparada às origens mais frágeis disponíveis anteriormente.

Já o Cavaleiro de Idus oferece uma alternativa distinta e ajuda a impedir que as duas novas classes pareçam apenas variações estéticas. Experimentar ambas reforça um dos grandes méritos do sistema de progressão de Elden Ring: pequenas alterações no equipamento inicial conseguem mudar significativamente a maneira como abordamos os mesmos inimigos.

O efeito aparece com maior força para veteranos. Depois de centenas de horas e diferentes personagens, começar novamente pode parecer repetitivo, mas as duas classes fornecem um incentivo adicional para revisitar chefes e áreas conhecidas sob outra perspectiva. Não representam uma revolução na jogabilidade, porém cumprem bem o papel de estimular novas builds.

Novas armas e armaduras ampliam as builds

Elden Ring: Tarnished Edition

Embora a divulgação do Tarnished Pack destaque principalmente as classes, o conteúdo não termina na tela de criação. A atualização também espalha novos equipamentos pelas Terras Intermédias, permitindo encontrar armas durante a exploração ou adquiri-las com comerciantes. Os equipamentos iniciais das duas novas classes também podem ser obtidos durante a aventura.

A decisão torna o pacote mais interessante para personagens antigos. Em vez de obrigar o jogador a abandonar dezenas ou centenas de horas de progresso somente para experimentar os equipamentos inéditos, a FromSoftware integrou parte das novidades ao mundo existente.

Há ainda quatro novos conjuntos de armadura, incluindo os trajes utilizados pelo Cavaleiro Pesado e pelo Cavaleiro de Idus. Embora pareça uma adição pequena diante do gigantesco arsenal disponível após Shadow of the Erdtree, novos equipamentos sempre possuem potencial para alterar builds em um RPG tão dependente de atributos, peso e combinações entre armas, talismãs e armaduras.

Mais importante, o conteúdo não parece deslocado. Encontrar parte desses itens explorando novamente as Terras Intermédias preserva a filosofia do jogo original: a recompensa surge da curiosidade. A versão 1.17 também adicionou novos eventos de invasão por NPCs em Caelid e Leyndell, oferecendo pequenas surpresas até para quem conhece esses mapas praticamente de memória.

Finalmente podemos personalizar Torrente

Elden Ring: Tarnished Edition

Entre todas as novidades, uma das mais simples também figura entre as mais agradáveis. Pela primeira vez desde o lançamento, Torrente pode ter sua aparência modificada, algo surpreendentemente ausente em um jogo no qual passamos tantas horas montados no Corcel Espectral.

O Tarnished Pack acrescenta três trajes: Sentinela da Árvore, encontrado no Castelo Tempesvéu; Prata de Caria, disponível em Liurnia dos Lagos; e Noite Fúnebre, localizado no Platô Altus. Após encontrar o primeiro deles, uma opção dedicada à aparência do Corcel Espectral surge nos Locais de Graça.

Na prática, trata-se de uma alteração visual e não de uma nova camada para o sistema de combate montado. Ainda assim, a possibilidade combina perfeitamente com Elden Ring. Torrente acompanha o jogador durante praticamente toda a exploração das áreas abertas e finalmente poder harmonizar sua aparência com determinados equipamentos do personagem adiciona personalidade à jornada.

Também acertou a FromSoftware ao transformar essas aparências em recompensas encontradas pelo mapa. Em vez de simplesmente disponibilizar três opções dentro de um menu após instalar o pacote, o jogo oferece outro motivo para retornar a regiões antigas e procurar pelas novidades.

Seria interessante, porém, se essa mecânica tivesse recebido maior profundidade. Não existem atributos próprios, equipamentos funcionais ou mudanças relevantes na movimentação de Torrente. A personalização permanece estritamente estética e, considerando a importância da montaria para Elden Ring, deixa espaço para uma evolução maior em um eventual sucessor.

Shadow of the Erdtree completa o pacote

Elden Ring: Tarnished Edition

Analisar a Tarnished Edition também significa considerar o tamanho da experiência reunida aqui. Shadow of the Erdtree continua sendo muito mais importante para o conjunto do que qualquer novidade individual do Tarnished Pack, acrescentando o Reino das Sombras, novos chefes, armas, equipamentos e sistemas próprios de progressão.

Em nossa análise original, destacamos como a expansão consegue reproduzir aquela sensação de vulnerabilidade experimentada durante as primeiras horas do jogo base. Mesmo personagens extremamente poderosos encontram resistência no Reino das Sombras, enquanto as Bênçãos da Umbrárvore criam uma progressão paralela responsável por incentivar novamente a exploração.

Somado ao conteúdo original, o resultado representa uma quantidade gigantesca de possibilidades. Tarnished Edition não altera aquilo que Elden Ring se tornou desde 2022; ela simplesmente concentra sua versão mais completa em um único produto e adiciona algumas ferramentas para tornar uma nova campanha um pouco diferente.

Como está Elden Ring no PS5?

Elden Ring: Tarnished Edition

No PlayStation 5, o retorno às Terras Intermédias continua visualmente impressionante muito mais pela direção de arte do que pela tecnologia empregada. Castelos gigantescos surgindo no horizonte, a iluminação atravessando a vegetação e as construções monumentais preservam a escala responsável por tornar o mundo tão memorável quatro anos atrás.

O Tarnished Pack não promove uma atualização gráfica propriamente dita. Texturas, modelos, iluminação e densidade dos cenários permanecem essencialmente ligados à apresentação já conhecida. O benefício está em jogar uma versão amadurecida por anos de atualizações, agora acompanhada pelo conteúdo adicional da versão 1.17.

Durante nossa experiência no PS5, priorizar a taxa de quadros continua sendo a melhor escolha para o combate. A maior fluidez favorece esquivas, contra-ataques e confrontos contra chefes, nos quais alguns milissegundos podem determinar a diferença entre sobreviver ou observar novamente uma tela de carregamento.

Isso não significa 60 FPS perfeitamente travados. Elden Ring historicamente apresenta oscilações no modo de desempenho do PS5, especialmente durante travessias pelo mundo aberto e em situações mais carregadas. Shadow of the Erdtree também herdou essa característica, portanto jogadores particularmente sensíveis às variações ainda podem percebê-las.

Apesar disso, nenhuma dessas oscilações prejudicou a ponto de comprometer nossa experiência com o novo conteúdo. A resposta dos controles permanece adequada ao combate preciso exigido pela FromSoftware, enquanto os carregamentos rápidos do SSD tornam mortes sucessivas consideravelmente menos frustrantes.

Quem prioriza definição pode optar pelo modo de qualidade, mas a vantagem visual não compensa a perda de fluidez em um título tão dependente do tempo de resposta. Para nossa sessão no PS5, o modo de desempenho continuou sendo a configuração preferível.

A atualização 1.17 também mexe no combate

O retorno não acontece exatamente sob as mesmas condições de anos atrás. Junto do suporte ao Tarnished Pack, a atualização 1.17 promoveu diversos ajustes de balanceamento em armas, habilidades, feitiços e encantamentos, inclusive equipamentos introduzidos por Shadow of the Erdtree.

Armas como a Rellana’s Twin Blades, Smithscript Axe, Smithscript Spear e Spear of the Impaler receberam melhorias, enquanto escudos passaram por ajustes de peso e capacidade de defesa. Parry, Storm Wall e Thops’s Barrier também foram retrabalhados, entre diversas mudanças menores.

Isoladamente, nenhuma alteração redefine Elden Ring. Somadas às novas classes e equipamentos, contudo, elas ajudam a refrescar o sistema de combate e oferecem argumentos para revisitar builds antigas ou experimentar combinações diferentes.

Essa talvez seja a melhor forma de compreender o Tarnished Pack. A FromSoftware não criou uma segunda expansão, tampouco pretende vender as novidades dessa maneira. Trata-se de uma coleção pequena de adições destinadas principalmente a renovar o começo da aventura e recompensar quem decidir explorar novamente um mundo já conhecido.

Vale a pena retornar às Terras Intermédias?

Para quem nunca jogou Elden Ring, a Tarnished Edition representa atualmente a experiência mais completa concebida pela FromSoftware para sua obra-prima. Jogo base e Shadow of the Erdtree formam uma aventura gigantesca, enquanto as novas classes, equipamentos e personalização de Torrente enriquecem um pacote que já poderia consumir centenas de horas.

Veteranos precisam ajustar as expectativas. O Tarnished Pack não possui uma nova região comparável ao Reino das Sombras, tampouco acrescenta uma grande campanha. Seu impacto aparece principalmente nas possibilidades de build, nos novos equipamentos espalhados pelo mapa e no incentivo para criar outro personagem.

Nesse contexto, Cavaleiro Pesado e Cavaleiro de Idus são as novidades mais relevantes para a jogabilidade. Eles não modificam as regras de Elden Ring, mas fornecem dois novos pontos de partida e conseguem fazer áreas extremamente familiares ganharem um pouco daquele sentimento de experimentação presente em 2022.

A personalização de Torrente complementa bem essa proposta. Depois de quatro anos atravessando as Terras Intermédias com exatamente a mesma aparência, finalmente vestir o Corcel Espectral parece uma mudança pequena no papel, mas bastante natural durante a exploração.

No PS5, permanecem algumas limitações técnicas conhecidas, especialmente a dificuldade para manter uma taxa de quadros completamente estável. Nada disso, porém, apaga uma direção artística excepcional, combates precisos e um mundo aberto cuja construção ainda figura entre as melhores do gênero.

Elden Ring: Tarnished Edition não transforma a obra-prima de Miyazaki. Ela tampouco precisava fazer isso. Ao reunir Elden Ring, Shadow of the Erdtree e uma pequena, mas interessante seleção de conteúdos inéditos, a FromSoftware entrega a forma mais completa de conhecer as Terras Intermédias e uma desculpa bastante convincente para veteranos voltarem a morrer mais algumas dezenas de vezes.

*O Cromossomo Nerd agradece a Bandai Namco e a TheoGames por terem nos fornecido uma cópia do jogo para esta análise.